Header Ads

Em Manaus, novos mercados de arte são tema de oficina com o curador paulista Baixo Ribeiro

Para além do mercado tradicional de arte, envolvendo colecionadores, galerias e artistas de renome, cada vez mais cenas independentes e novas possibilidades ganham espaço no circuito contemporâneo da arte. Esses novos mercados estão na pauta que Baixo Ribeiro, proprietário, curador e diretor da galeria Choque Cultural (SP), discute em oficina com artistas locais a partir desta quinta-feira (14), no Palacete Provincial. A formação, que segue até sábado (16), integra a agenda do Circuito de Artes Visuais, promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura.
 
Com o tema “Arte Contemporânea e as transformações do sistema da arte: novos modelos de negócios”, a oficina com Baixo Ribeiro terá foco nos novos mercados de arte contemporânea. Aí se incluem iniciativas, segundo o curador, surgidas a partir de um cenário mais abrangente e inclusivo, em contraste com o mercado tradicional, focado “na venda de poucos artistas a valores muito altos para poucos colecionadores capazes de comprar”.
 
“(Esse mercado) também tem sua importância, pois ele fomenta e permite que muitas cenas de arte possam sobreviver e se desenvolver”, comenta Ribeiro. “Por outro lado, existem hoje muitos movimentos artísticos que procuram ser independentes desse mercado, como os mercados da arte urbana, da tatuagem, das artes aplicadas ao Design, e mesmo os mercados artísticos locais”.
 
Outra tendência importante que o curador deverá enfocar em suas conversas com os artistas locais é o crowdfunding, ou financiamento coletivo. “Ainda não é uma ferramenta muito disseminada, mas já aparece como forte potencial para possibilitar o financiamento de projetos artísticos, mais experimentais, diretamente com o público, por meio da ‘vaquinha’”, assinala.
 
 
 
Circuito e intercâmbio – Além de compartilhar sua experiência, que abrange seus quase 15 anos à frente da Choque Cultural, Baixo Ribeiro espera conhecer mais sobre os artistas e o cenário artístico amazonense. Na visão do curador, o Estado tem potencial para se destacar como um ponto de convergência e circulação da arte, até mesmo em âmbito internacional.
 
“Manaus, por ser considerada o centro da Amazônia, é um importantíssimo ponto de referência internacional. Muitas coisas, em nível mundial, podem acontecer a partir daqui. Meu interesse principal é nesse potencial da cidade. Quero entender o mercado local e como ele se insere nesse contexto, entender como trabalham os artistas aqui e, a partir daí, traçar possibilidades de aproveitamento desse potencial”, explica ele.
 
Ribeiro também destaca a importância de ações como o Circuito de Artes Visuais. Desde o último dia 1º, a iniciativa vem promovendo uma série de exibições públicas de arte, reunindo produções inéditas de artistas de diversas técnicas e linguagens, além de abrir espaço para expressões urbanas como o graffiti. “Quem não está conectado com o resto do mundo, quem não está fazendo intercâmbio de inteligência, desaparece. Nem é preciso dizer muito sobre isso: é algo fundamental em todos os aspectos”.
 
Ribeiro expressa uma expectativa positiva em sua vinda à capital amazonense para o Circuito de Artes Visuais: “Creio que, usando a criatividade como plataforma e entendendo a cidade como importante referência internacional, Manaus pode se desenvolver ainda mais no campo da arte e da cultura”.
 
 
Trajetória – Com formação nas áreas de Arquitetura, Urbanismo e Desenho Industrial, Baixo Ribeiro é produtor cultural e curador de arte contemporânea. É presidente do Instituto Choque Cultural e diretor da Galeria Choque Cultural, em São Paulo. Fundada em 2004, a galeria é hoje uma referência em novos mercados de arte.
 
“Somos uma das mais importantes do mundo no campo da arte urbana, mas trabalhamos em várias linguagens, hoje, na vanguarda do mercado. E trabalhamos dentro do mercado tradicional, fazendo ponte entre mercados”, explica. O projeto, ele acrescenta, vai além da galeria e funciona também como “laboratório de inovação no campo da arte”. “Desenvolvemos projetos educativos sobre novas tecnologias sociais, arte-educação e arte & cidade, e projetos de inteligência estratégica”, completa ele.
 
 
Artes em circuito – Realizado de 1º de setembro a 1º de outubro, o Circuito de Artes Visuais vem promovendo uma série de exposições e exibições de filmes amazonenses em espaços no Largo de São Sebastião e nas adjacências do Teatro Amazonas. No segmento das Artes Plásticas, a ação reúne trabalhos de 70 artistas locais, de diferentes gerações e adeptos de diferentes linguagens e técnicas.
 
 O circuito de exibição inclui a Galeria do Largo e a Casa das Artes, no Largo de São Sebastião; o Centro Cultural Palácio da Justiça, na avenida Eduardo Ribeiro, 901; e o Museu Casa Eduardo Ribeiro, na rua José Clemente, 322. Os tapumes ao redor na Santa Casa de Misericórdia de Manaus também farão parte da série de mostras, como suporte para os graffiti de artistas urbanos incluídos na seleção.
 
No segmento do cinema, o Circuito vai promover a Mostra de Audiovisual, trazendo exibições de produções audiovisuais do Amazonas no Centro Cultural Palácio da Justiça, na avenida Eduardo Ribeiro, 901, Centro, e em três telões espalhados pelo Largo de São Sebastião, com sessões em quatro domingos, nos dias 10, 17 e 24 de setembro, e 1º de outubro.
 
Além da oficina com Baixo Ribeiro, a programação acadêmica do Circuito terá uma formação com o street artist paulista Daniel Melim, com foco na técnica do “Stencil Graffiti”. A atividade acontecerá no Palacete Provincial, de 28 a 30 de setembro, das 14h às 16h30.

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.