Header Ads

Bibi Perigosa real: 'Menina da favela não tem maturidade para saber que vai dar ruim se namorar bandido'

     Fabiana Escobar inspirou personagem da novela, a 'Força do Querer', de Glória Perez (Foto: Arquivo pessoal)

Bibi Perigosa tem certeza de que não continuaria a ser xingada de mulher de bandido e ladra, entre outras coisas, se sua história de arrependimento tivesse sido contada no púlpito de uma igreja. Como foi por meio da escrita, em uma autobiografia chamada "Perigosa", os ataques nunca cessaram, acredita.

"O recomeço da minha vida não foram flores, passei muita dificuldade, tinha a polícia batendo na minha porta, mas não reagi com raiva. Minha mudança dependeu só de mim, não teve igreja por trás", diz por telefone Bibi, alcunha de Fabiana Escobar, de 37 anos, de sua casa na favela da Rocinha, no Rio.

"Quantos relatos de gente na igreja as pessoas aceitam e o meu não? O sistema foi falho comigo? Foi, mas lamento. As pessoas querem vingança, não justiça. Tem gente que está presa e se veste melhor do que eu, que vive melhor do que eu, que não fui presa", afirma. "O sofrimento que passei foi consequência das minhas escolhas."

          Bibi Perigosa com o então marido, Saulo Sá e Silva, ex-barão do pó da Rocinha (Foto: Arquivo pessoal)

A escolha que mudou a vida da ex-estudante de serviço social na UFRJ (Univesidade Federal do Rio de Janeiro), apelidada de Perigosa por suas reações explosivas e pelo ciúme, foi continuar casada com o namorado de adolescência e pai de seus dois filhos, Saulo de Sá e Silva, quando descobriu que ele havia se tornado traficante.

Silva se transformou no "barão do pó" da Rocinha, e Fabiana aceitou o papel de baronesa, aproveitando os luxos que a nova atividade do marido lhe proporcionava.

O casamento de 14 anos, no qual tiveram dois filhos, durou mesmo após a prisão dele. Só terminou quando ela descobriu que o homem que se dizia apaixonado por ela a havia traído com várias mulheres.

A escritora, que hoje também se aventura em roteiros cinematográficos em um coletivo na Rocinha, diz que cresceu ouvindo histórias de mulheres que realmente amavam seus maridos bandidos. Até que viveu o mesmo.

     Bibi costumava postar fotos ostentando motos, joias e até dinheiro que o ex-marido possuía por causa do tráfico (Foto: Arquivo pessoal)

"Elas se apaixonam mesmo, os homens são sedutores. As meninas não têm maturidade para falar: 'Isso vai dar ruim'", diz.

"É claro que também tem quem se envolva pelo luxo, pelo dinheiro", acrescenta. "Mas a maioria se envolve por paixão. É muito complicado, você fica entre a alienação afetiva e a financeira."

Para ela, a falta de maturidade dos adolescentes é um dos principais fatores para a aproximação com o crime. "Eles não têm maturidade para esperar as coisas acontecerem, trabalhar para ter algo."

No Rio, diz, a proximidade entre a favela e a classe média alta do asfalto só piora o cenário. "Porque aqui o pobre tá muito perto do rico. Você está lá na praia com fome e vê o rico puxar uma nota de 100 reais e comprar camarão..."

Na Rocinha, Fabiana chegou a ser dona de uma loja de roupas, a Danger Girl, logo depois que a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) chegou ao morro, mas o negócio não vingou.

"As pessoas ficavam de me pagar e não me pagavam, eu ficava nervosa, dava confusão", diz, deixando claro o porquê de ter ganhado o "sobrenome" Perigosa.

Ela afirma que já briga bem menos, mas que continua merecendo o apelido que tem. "Sou estressada mesmo, não sou santa. Me controlo, assim como alcoólatra tem que se controlar. Mas sou perigosa para o bem (risos)."



Fonte: G1

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.