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Prefeitura cria grupo de trabalho para discutir criação do Corredor Ecológico do Sauim de Manaus


Às vésperas das comemorações em torno do Dia do Sauim-de-Coleira, 20/10, a Prefeitura de Manaus dá o pontapé para o processo de discussão acerca da criação de um corredor ecológico urbano que priorize a conservação da espécie, criticamente ameaçada de extinção.
Uma portaria, assinada pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Antonio Nelson de Oliveira Júnior, oficializa a criação de um grupo de trabalho interinstitucional, formado por representantes de organizações governamentais e não-governamentais, com o objetivo de elaborar proposta visando subsidiar a criação do Corredor Ecológico do Sauim de Manaus, bem como definir critérios técnicos para o Termo de Referência para elaboração do Plano de Gestão do Corredor Ecológico.
Participam do grupo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Procuradoria Geral do Município (PGM), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fundação Vitória Amazônica (FVA), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O grupo será coordenado pelos representantes da Semmas.
Segundo o secretário Antonio Nelson, a iniciativa é a contribuição efetiva da Prefeitura de Manaus para a estratégia nacional de proteção ao sauim-de-coleira, que é uma espécie endêmica, símbolo de Manaus, em risco de desaparecer. Ele explicou que a criação do grupo vai possibilitar uma discussão democrática e participativa sobre as formas de criação do corredor, levando-se em conta o cenário real para seu estabelecimento e os aspectos ambiental e social do mesmo. “Já existe um estudo iniciado por instituições que trabalham em prol da conservação da espécie e é sobre ele que iremos nos debruçar para se ter uma definição das delimitações e como se dará o processo de gestão da nova área protegida”, explica Antonio Nelson.
O corredor ecológico urbano tem como função garantir a conexão entre áreas protegidas já estabelecidas, garantindo fluxo gênico das espécies. O Corredor do Sauim de Manaus, conforme a proposta inicial que será discutida, vai conectar o Parque Municipal do Mindu, o Corredor Ecológico do Mindu, passando por áreas verdes e de preservação permanente, o Parque Estadual Samaúma, até chegar à Reserva Adolpho Ducke, na zona Leste. “Nosso objetivo é fazer com que os parceiros possam contribuir de forma efetiva na discussão em função da estratégia de proteção da espécie, de acordo com o Plano Nacional de Proteção do Sauim”, explica o diretor de Áreas Protegidas da Semmas, Márcio Bentes. Segundo ele, o corredor ecológico é uma  estratégia  de gestão de área protegida  prevista pela Lei 9.985/2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).
Esse será o terceiro corredor ecológico da cidade de Manaus – já existem os corredores ecológicos urbanos do Mindu, que vai do Novo Aleixo até o Parque Dez, e da Cachoeira do Leão, no Tarumã. “Nossa expectativa é de que possamos aumentar a proteção sobre os territórios bem como a espécie. O desafio será o de consolidar o corredor ecológico a partir do diagnóstico da qualidade ambiental de cada área envolvida e colocar em prática o plano de trabalho para melhorar e reflorestar essas áreas”, afirmou Márcio Bentes. O grupo já deverá ter a primeira reunião de trabalho oficial na próxima semana.
Planos de Ação
Os Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas (PAN) são políticas públicas, pactuadas com a sociedade, que identificam e orientam as ações prioritárias para combater as ameaças que põem em risco tanto populações de espécies quanto seus ambientes naturais, a fim de protegê-los. O sauim-de-coleira é considerado espécie criticamente ameaçada de extinção (Portaria N.o 444, do Ministério do Meio Ambiente – MMA). Os especialistas que avaliaram a condição dessa espécie em 2012 consideraram (1) sua distribuição restrita – pois ele só existe em Manaus e em parte de Itacoatiara e Rio Preto da Eva –, (2) os efeitos do desmatamento, (3) a competição com o sauim-de-mãos-douradas (Saguinus midas) e (4) a expansão urbana desordenada estão ameaçando demasiadamente a espécie, podendo levá-la à extinção em pouco tempo.
Elaborar um PAN foi uma das estratégias desenvolvidas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), junto de diversos parceiros, para evitar que a espécie desapareça. O Plano de Ação Nacional para a Conservação do Sauim-de-coleira, oficializado em 2011, tem como objetivo garantir pelo menos oito populações viáveis de Saguinus bicolor, reduzindo sua taxa de declínio populacional e assegurando áreas protegidas para a espécies. O PAN é composto por um objetivo geral, com sete metas, cujo monitoramento está sendo coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa, Conservação e Proteção de Primatas Brasileiros - CPB e supervisionado pela Coordenação Geral de Manejo para Conservação.


Foto:  Arlesson Sicsú / Semmas

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