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Caso IURD: pacto milionário escondeu segredo de adoções suspeitas


Um pacto milionário firmado entre a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e terceiros envolvidos no caso da suposta rede internacional de tráfico de crianças, denunciada na série de reportagens "O Segredo dos Deuses", da emissora portuguesa TVI, teria silenciado o tema por 20 anos.

Reportagens da emissora vêm revelando, desde a segunda-feira (11), uma série de denúncias relacionadas ao suposto rapto de crianças portuguesas entregues temporariamente a um lar administrado pela Igreja Universal em Portugal, nos anos 1990.

De acordo com a investigação realizada pelas jornalistas Alexandra Borges e Judite França, diversas crianças acolhidas neste lar foram escolhidas por fotos, adotadas por pastores e bispos da IURD e levadas para fora da país. Tudo teria ocorrido sem o conhecimento e a autorização dos pais biológicos.

Entre os casos mais chocantes está o de Vera, Luís e Fábio. Os irmãos teriam sido deixados no lar pela mãe biológica, na época em situação de dificuldade, por determinação de uma assistente social, segundo a mulher contou na entrevista. Com o tempo, ela teria sido impedida de visitar os filhos no lar até descobrir que eles foram levados pela filha mais nova e pelo genro do biso Edir Macedo, Viviane e Júlio Freitas, para os Estados Unidos. O casal, entretanto, só "gostou" de duas das crianças, por isso resolveu separar Vera e Luís do irmão Fábio, que acabou sendo adotado pelo bispo Romualdo Panceiro e levado para o Brasil.

A outra filha de Edir Macedo, Cristiane Cardoso, também teria adotado uma criança nas mesmas circunstâncias, Filipe, outro garoto a ser separado do irmão, Pedro, no processo. Os dois seriam filhos de uma mulher usuária de drogas na época, que teria deixado os filhos com a mãe, seguidora da Igreja Universal. A avó das crianças, por sua vez, entregou os netos ao mesmo lar de adoção administrado pela IURD em Lisboa, de onde foram levados para fora do país.

PACTO NA IURD
Neste caso, como Cristiane Cardoso tinha idade suficiente para adotar Filipe, o processo ocorreu em seu nome. Já no caso de Viviane Freitas, como a filha mais nova do bispo não havia idade suficiente para adotar em Portugal nem residência fixa no país, as crianças teriam sido adotadas por uma espécie de "laranja". Alice Gouveia, apontada na reportagem da TVI como secretária pessoal do bispo Edir Macedo, que teria assinado a documentação como mãe adotiva das três crianças. Ela foi ouvida na reportagem e confirmou a "farsa" montada para enganar as autoridades portuguesas.

A novidade revelada pelo jornal Correio da Manhã revelou nesta quinta-feira (21) é que a filha mais nova de Edir Macedo e a secretária pessoal do bispo assinaram um pacto milionário sobre a suposta farsa das adoções. A testa de ferro responsável legalmente pelas crianças teria recebido mensalidades, ao longo dos anos, para silenciar sobre os detalhes da entrega de Vera e Luís e sobre o destino de Fábio, o terceiro irmão supostamente rejeitado pelo casal Freitas e entregue ao bispo Romualdo Panceiro. O rapaz teria morrido de overdose em um hotel em Nova Iorque, cerca de dois anos atrás, mais um segredo escondido pela Igreja.






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