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Câmara lança ‘Março Lilás’ e entra na campanha de combate ao câncer de colo uterino

Foto: Robervaldo Rocha - Dircom/CMM
A Tribuna Popular de lançamento da campanha de prevenção do câncer do colo de útero, o “Março Lilás”, realizada pela Câmara Municipal de Manaus (CMM), na manhã desta quarta-feira (7), resultou em uma agenda de trabalho a ser colocada em prática pelo presidente da Casa Legislativa, Wilker Barreto (PHS) e vereadores, que inclui visitas à Secretaria de Saúde do Estado (Susam), empresas de telefonia e campanhas de sensibilização para os exames preventivos contra a doença que tem índices alarmantes de óbitos no Amazonas.

“Vamos fazer uma agenda positiva para o Março Lilás não ficar somente em um dia de cor, mas um dia realmente de ações concretas. Perdemos mais de 290 vidas no ano passado e esperamos chegar em 2018 com o menor número de óbitos possível”, assegurou Barreto.

O presidente garantiu que a Câmara fez um esforço para aprovar a Lei de criação do Março Lilás, que agora passa a fazer parte do calendário de eventos da Prefeitura de Manaus e da Câmara. “Criamos mais um mecanismo, como já existe o “Outubro Rosa”, para atuarmos em ações alusivas à data”, disse Wilker Barreto em seu discurso como autor da proposta, encampada pelos demais vereadores.

Wilker Barreto explicou que os números alarmantes apresentados pela idealizadora do projeto, a ginecologista Mônica Bandeira de Melo, de que hoje, o número de mortes chega a 290 no Amazonas, sendo que desses 233 ocorrem em Manaus, motivaram-no a apresentar o Projeto de Lei do Março Lilás e também tomar à frente dessa campanha como presidente da Casa Legislativa. “São indicadores surreais e estamos sendo parceiros e dando as mãos à prefeitura. Temos obrigação com a problemática do câncer uterino, que vitima silenciosamente muitas mães e mulheres em Manaus e no Amazonas”, disse.

O presidente ressaltou, ainda, que lá atrás, a Câmara puxou a discussão na questão da vacinação contra o HPV nas escolas, por meio de projeto do vereador Reizo Castelo Branco (PTB). “A vacina é uma etapa, só que temos outro público alvo que precisamos atingir e que está descoberto e sofrendo”, lembrou.

O presidente do Poder Legislativo manifestou preocupação com os números apresentados pela ginecologista que colocam o Amazonas com indicadores iguais aos de países africanos, no que diz respeito à mortalidade. Esses dados o fizeram mediar junto às secretarias municipais de Saúde (Semsa) e de Finanças (Semef) a compra dos kits e do colposcópio (para os exames), que se somaram aos valores das emendas parlamentares destinadas à Saúde. “A expectativa é a de que no início do segundo semestre esses exames já comecem a serem realizados”, afirmou Wilker.

Durante a Tribuna Popular, o presidente da Casa fez questão que as vereadoras Professora Jacqueline (PHS), Glória Carrate (PRP), Professora Therezinha Ruiz (DEM) e Joana D’Arc Protetora dos Animais (PR) fizessem parte da Mesa dos Trabalhos. Também participaram do evento, além da palestrante Mônica Bandeira de Melo, a subsecretária de Políticas Afirmativas para Mulheres (Semmasdh), Socorro Sampaio; a subsecretária municipal de Saúde, Adriana Lopes Elias e a representante da primeira dama e presidente do Fundo Social Manaus Solidária, Elisabeth Valeiko Ribeiro, Samiza Soares.

Dados

Em sua palestra, a médica ginecologista Mônica Bandeira de Melo, agradeceu ao presidente e à Câmara pelo “acolhimento” e ter estendido a mão ao que ela considera “uma tragédia humana”. “No Amazonas, os números do câncer do colo de útero é uma tragédia prevenível e evitável. É uma dívida histórica de todos os governos que passaram pelo Estado e Município”, assegurou antes de falar das estatísticas.

Segundo ela, dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) mostram que em 2016, o câncer do colo de útero saltou de 37,14% para 40,97% em 2018. No mesmo período, Manaus aumentou de 53,75% no número de casos para 58,37%, enquanto nesse mesmo período, o Estado de São Paulo registrou 8,43% e a capital 10,5%.

No Amazonas, como ressalta a médica, morreram 290 mulheres com câncer de colo de útero, desse total, 233 mortes ocorreram em Manaus. “É uma vergonha, é inadmissível. É preciso agir com urgência”, afirmou a médica, acrescentando que por mês uma média de 23 mulheres morre com câncer do colo de útero.

Mônica Bandeira de Melo ressaltou a importância de campanhas educativas e a necessidade de que a vacina continue sendo disponibilizada nas escolas para vacinação de meninas entre 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos.

Participantes

Entre os participantes, Socorro Sampaio disse ter a convicção de que todos realmente têm que “arregaçar as mangas” para reduzir o número de mortes. Segundo ela, apesar das dificuldades, a prefeitura assiste a uma média de cinco mil mulheres por ano vítimas de violência doméstica, familiar e o câncer, não deixa de ser uma violência, porque mutila.

A subsecretária de Gestão da Saúde, Adriana Lopes, afirmou que dentro das limitações da secretaria disponibilizaram a vacina contra o HPV para 164 escolas, aplicadas dentro do calendário.

Para a vereadora Glória Carrate (PRP) falta vontade política dos governantes para resolver o problema. “É triste e deprimente o que se vê. Mulheres que chegam para serem atendidas mortas-vivas. Se os lá de cima não tiverem o olhar voltado para os que estão morrendo não vai adiantar nada”, disse, parabenizando o presidente pela iniciativa do Março Lilás.

Therezinha Ruiz (DEM) se comprometeu em entrar na campanha por meio das suas redes sociais, e a Professora Jacqueline (PHS) criticou a falta de compromisso de políticos que fazem da Saúde um “banco de corrupção”. “A Saúde é uma questão delicada no Estado e no Brasil. Muitos tiraram o direito de leito de quimioterapia de centenas de mulheres. Não adianta diagnosticar o câncer se não tem onde fazer o tratamento. No Instituto da Mulher escolhe-se o menos grave para tratar”, disse.

Joana D’arc, por sua vez, disse que vai fazer uma indicação à Prefeitura de Manaus para compra de equipamentos que custa R$ 80 mil. “É preciso dar prioridade para o que é prioridade”, lembrou.

Também se pronunciaram na ocasião os vereadores Coronel Gilvandro Mota (PTC), Chico Preto (PMN), Plínio Valério (PSDB), Gilmar Nascimento (PSD), Raulzinho (DEM), Reizo Castelo Branco (PTB) e Fred Mota (PR).



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