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Ciúme excessivo na relação deve ser alerta para violência doméstica contra mulheres, afirma delegada de crimes contra a mulher


Manaus registrou 7.458 mil casos de violência contra a mulher de janeiro a abril de 2018. Os números se referem aos boletins de ocorrência registrados nas duas delegacias especializadas em Crimes Contra a Mulher da capital. Até chegar à agressão física e outros casos de polícia, a violência se disfarça no cotidiano em episódios que não podem ser ignorados em uma relação. Cuidados excessivos, ciúme descontrolado e a imposição de limites à companheira, que vão da roupa às amizades. Estes são os sinais mais claros de uma relação abusiva.

“O autor de violência doméstica sempre demonstra alguns sinais desde o início do relacionamento. Mas a mulher acaba interpretando como excesso de amor, de ciúmes e não de abuso. A partir do momento em que ele quer controlar a vida, o celular, as redes sociais, quer segregá-la até do convívio familiar, controlar a roupa, é preciso ficar atenta”, afirma Andréa Nascimento, delegada titular da Especializada em Crimes contra a Mulher do bairro Cidade de Deus, zona norte de Manaus.

Segundo a delegada, a violência doméstica contra a mulher é cíclica. O autor não é violento em tempo integral. “O autor não é ruim o tempo todo e muitas vezes a violência só se manifesta com a vítima. Às vezes, ele é um bom pai, trabalhador, tem momentos bons com a vítima. Por isso, que a vítima permanece no ciclo da violência porque ela acredita que ele vai mudar. Porque aí tem o pedido de violência. Intensificação de violência”, disse.

Relacionamento abusivo - Titular da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher do Parque Dez, na zona centro-sul de Manaus, a delegada Débora Mafra, acredita que a gênese da violência contra a mulher é o relacionamento abusivo. Nessas relações, quase sempre a vítima tem a impressão de ter encontrado o homem ideal. “É sempre o cara da sua vida, um negócio que você não consegue acreditar. A pessoa mais cuidadosa, apaixonada, que já quer se envolver logo. Uma coisa realmente apaixonante. Depois começa a dar ordens, impor proibições de amizades, locais de visitação, começa a mexer no telefone, nas redes sociais e aí começam as ofensas e agressões físicas”, enfatiza Débora Mafra.

Prevenção - Antes de chegar à delegacia, a prevenção ainda é a melhor aliada para quebrar o ciclo de violência. Procurar ajuda profissional, terapia de casal e uma religião podem surtir efetivos positivos. “Dificilmente a mulher vai conseguir contornar sem ajuda. Muitas vezes a denúncia é um passo para o autor entender que está errado. A delegacia é uma forma de amparo à família. A partir daí, mesmo que seja um registro de boletim de ocorrência, eles recebem encaminhamento para o atendimento psicossocial, da vítima e do agressor”, disse Andréa Nascimento. As delegacias contam com o Serviço Apoio Emergencial à Mulher (Sapem), com equipes multiprofissionais.

Delegacias - Quando a tentativa de terminar a relação é infrutífera, o caminho para enfrentar o caso é o auxílio policial. Em Manaus, os registros de queixas podem ser feitos nas duas unidades de Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM), localizadas na avenida Mário Ypiranga Monteiro, Parque Dez, zona centro-sul, e na rua Santa Ana, Cidade de Deus, zona norte, atrás do 13º DIP. Os casos também podem ser registrados em qualquer delegacia de polícia na capital e interior.

“Muitas vezes as mulheres têm medo de vir à delegacia porque acharem que os homens já vão sair presos. É importante que elas saibam que a delegacia também está atuando como parceira, para orientá-las, informá-las a agir preventivamente, para que conheçam os seus direitos”, disse a delegada Andréa Nascimento.

Denúncias – Além das vítimas, denúncias de casos de violência contra a mulher também podem ser feitas por parentes, vizinhos e amigos, de forma sigilosa, através do Disque 181, o telefone de denúncias da Secretaria de Segurança Pública. De acordo com a Delegada Débora Mafra, todos os casos são apurados.

“O bom é que a mulher tome a atitude de denunciar. Mas ninguém pode ser omisso, é preciso avisar a polícia. Recentemente, fomos averiguar um caso de violência em um condomínio de luxo. Os relatos dos vizinhos indicavam que a mulher apanhava todo dia. Ela não quis que atendêssemos, mas ainda assim, a presença da polícia ali foi importante. Onde tem polícia, o homem começa a respeitar porque ele sabe que será punido”, disse Mafra.


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