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Relatório aponta 300 'padres predadores' na Pensilvânia

A suprema corte da Pensilvânia divulgou nesta terça-feira (14) um relatório em que acusa mais de 300 "padres predadores" de abuso sexual contra mais de mil menores, em crimes encobertos durante décadas pela Igreja Católica, segundo o procurador-geral do estado, Josh Shapiro.

O documento, que tem cerca de 1.400 páginas, detalha 70 anos de conduta indevida de bispos, padres e outros integrantes da igreja. Os investigadores afirmam que pode haver mais vítimas.

A investigação durou 18 meses e foi conduzida por Shapiro em seis das oito dioceses do estado –Harrisburg, Pittsburgh, Allentown, Scranton, Erie e Greensburg. As duas que ficaram de fora, Filadélfia e Altoona-Johnstown, já foram alvo de outras apurações.

"Nós analisamos e revisamos cerca de 500 mil páginas de documentos internos das dioceses. Eles continham alegações críveis contra cerca de 300 padres predadores", afirmou o procurador geral.

"Mais de mil crianças eram identificáveis, a partir dos próprios registros da igreja. Nós acreditamos que o número real –de menores cujos registros foram perdidos ou que tiveram medo de vir a público– esteja nos milhares."

Em um dos casos relatados, um padre teria violentado uma menina num hospital após ela remover suas amídalas. Em outro, um padre teve autorização para continuar no ministério depois de engravidar uma adolescente de 17 anos, falsificar a assinatura em uma certidão de casamento e, depois, se divorciar da jovem.

Segundo o procurador, o relatório detalha "um acobertamento sistemático por autoridades sêniores da igreja na Pensilvânia e no Vaticano".

Os investidores afirmam que os religiosos foram protegidos dentro da estrutura da igreja e, em alguns casos, promovidos.

"Até que isso mude, nós achamos que é muito cedo para fechar o livro dos escândalos da Igreja Católica", afirmaram.

Shapiro diz que, por causa do acobertamento, quase todo caso de abuso encontrado é muito antigo para servir como base de um processo.

A divulgação do documento foi adiada após tentativas de membros da Igreja Católica de impedir que o relatório se tornasse público, alegando ser uma violação de seus direitos constitucionais.

Em julho, porém, a suprema corte da Pensilvânia ordenou que o resultado da investigação fosse liberado, mas sem alguns nomes e detalhes que pudessem ajudar a identificar os religiosos.

Antes desse, houve mais dez relatórios fruto de investigações nos Estados Unidos, de acordo com o grupo BishopAccountability, de defesa de direitos das vítimas. Mas esses documentos examinavam apenas uma diocese ou um condado.

Ao jornal "The New York Times" o reverendo James Faluszczak, de Erin, afirmou que levou os casos de que tinha conhecimento a dois bispos ao longo de cinco anos, mas foi ignorado e teve as acusações minimizadas."É essa mesma forma de gerenciar segredos que acobertou os predadores", disse ao jornal.

Nos EUA, não houve uma investigação ampla sobre abuso sexual cometido por membros da Igreja Católica contra menores, como ocorreu na Austrália. No país, uma comissão passou quatro anos analisando crimes perpetrados contra crianças por autoridades de várias religiões e instituições civis.

No mês passado, o cardeal Theodore McCarrick, uma figura proeminente da Igreja Católica nos EUA e que ocupou o posto de arcebispo em Washington, renunciou após ser acusado de abuso sexual contra menores e adultos por décadas.

No começo de agosto, o bispo de Harrisburg, Ronald Gainer, prometeu retirar os nomes dos bispos acusados de prédios e salas da diocese.

A investigação mais conhecida de abuso sexual por membros da igreja nos EUA foi retratada no filme "Spotlight - Segredos Revelados." No caso, revelado pelo jornal "The Boston Globe", o cardeal Bernard Law, morto em 2017, foi obrigado a renunciar após ser acusado de acobertar crimes cometidos por padres contra crianças quando ele era arcebispo de Boston. Com informações da Folhapress.


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