Conectando o Amazonas

Amazonas terá, ao ano, 41 casos de câncer de colo uterino para cada 100 mil mulheres

Uma média de 41 mulheres em cada 100 mil, no Amazonas, devem desenvolver o câncer de colo uterino, neste ano e no próximo, conforme projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca), subordinado ao Ministério da Saúde (MS). O número representa mais que o dobro da estatística brasileira, que prevê cerca de 15 casos para o mesmo grupo populacional, denominado taxa bruta de incidência, dado considerado preocupante, segundo o cirurgião oncológico e parceiro da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), Manoel Jesus Pinheiro Júnior.

São 1.680 casos estimados para o biênio 2018/2019, no Amazonas, uma vez que a estimativa do órgão é atualizada a cada dois anos. A taxa bruta de incidência, que determina a quantidade de casos para cada 100 mil habitantes, também é utilizada para gerar a classificação dos estados no ranking brasileiro. Ela aponta que o Amazonas ainda é o campeão de casos da doença no País e que é hora de reforçar as medidas de prevenção, para mudar esse cenário.

Manoel Jesus Pinheiro explica que a doença é adquirida, em quase 100% dos casos, por contaminação do vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), transmitido por via sexual. Apesar de haver mais de 100 tipos do vírus, pelo menos 13 deles são considerados oncogênicos.

“São os tipos que podem causar as lesões chamadas de pré-cancerosas, que se não tratadas a tempo, podem evoluir para um câncer. Mas, em todo caso, é importante frisar que o câncer de colo uterino já foi erradicado em alguns países e que medidas simples podem evitar o aparecimento da doença, tais como a coleta do preventivo (Papanicolau) anualmente, em mulheres em fase sexual ativa; a vacinação contra o HPV em crianças e adolescentes e o uso do preservativo, além do fortalecimento das campanhas de prevenção. Assim, poderemos reduzir a incidência da doença e também a mortalidade, que é considerada alta no Amazonas”, explicou o especialista.

Diagnóstico e tratamento


O diagnóstico do câncer de colo uterino é feito através do Papanicolau e de avaliação clínica, além da análise patológica de tecido retirado via biópsia direto do local. “O Papanicolau aponta a presença do vírus e da lesão que, se estiver em fase inicial, tem maiores chances de cura”, destacou.

Os tratamentos podem ser cirúrgico, radioterápico, quimioterápico ou associando duas ou mais modalidades. “No cirúrgico, a histerectomia radical total (retirada do útero) é indicada em caso de tumor em estágio inicial. Tumores localmente avançados requerem quimioterapia e, na maioria dos casos, também radioterapia”, destacou.

Outubro Rosa


Ele explica que mobilizações como o Outubro Rosa, realizado em todo o mundo, desde a década de 1990, ajudam a conscientizar a população acerca da importância do diagnóstico precoce e dos fatores de risco do câncer de mama, tipo mais incidente no Brasil e no mundo, e, no caso do Amazonas, do câncer de colo uterino, que está no topo da lista.

O movimento é coordenado, no Estado, pela Rede Feminina de Combate ao Câncer e pelo Centro de Integração Amigas da Mama (Ciam), filiados à Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), entidade que encabeça a campanha no País.

Neste ano, o tema escolhido para o movimento foi o #CompartilheSuaLuta , cujo objetivo é fazer com que mulheres portadoras do câncer de mama, dividam sua experiência durante o tratamento e recebam mais apoio de familiares e amigos.

O movimento também tem o apoio da Liga Amazonense Contra o Câncer (Lacc), que trabalha em parceria com as demais entidades e atua, há mais de 60 anos, com projetos sociais voltados para pacientes de baixa renda e no desenvolvimento de campanhas de prevenção.Os projetos são financiados por doações feitas pela sociedade, via call center (92- 2101-4900) e site (www.laccam.org.br) e atendem milhares de pessoas, todos os anos.


Postar um comentário

 
Copyright © Chefão da Notícia. Templates Designed by OddThemes