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Mulheres se reúnem em defesa da ciência para o tratamento de doenças no Amazonas

Com o objetivo de trazer o debate sobre ciência e tecnologia voltado para tratamentos de doenças cancerígenas no Amazonas, em alusão ao “Outubro Rosa”, pesquisadoras e mulheres parlamentares se reuniram nesta quarta-feira (17), na Fundação Oswaldo Cruz - Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz). Na reunião, foi possível mesclar o conhecimento científico das pesquisadoras que atuam no desenvolvimento de ciência e tecnologia em saúde, com a atividade do parlamento em defesa da ciência.

A deputada estadual Alessandra Campêlo (MDB), que participou da reunião entre pesquisadores e parlamentares, comentou sobre as dificuldades e o pouco interesse dos colegas deputados, na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), em defender a bandeira em favor da Ciência e Tecnologia, no momento que o ex-governador José Melo (Pros) - cassado por compra de votos nas eleições de 2014- extinguiu a Secretaria de Estado, Ciência Tecnologia e Inovação (Secti).

Conforme a deputada Alessandra Campêlo, é muito importante que haja essa aproximação entre a ciência e o parlamento, para que se possa mostrar a ciência como um investimento necessário para o desenvolvimento de um país, no caso em específico, para que se possa alcançar uma cura para o câncer.

“Para isso, é preciso que tenhamos a retomada da secretaria de ciência e tecnologia, dos investimentos e a estruturação e apoio às instituições de pesquisa e assistência, como nos casos da Medicina Tropical, a Fundação Cecon e a Fiocruz, instituições essas, que fortalecem a ciência na área da saúde no Estado do Amazonas”, disse a deputada.

De acordo com a professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e assessora da Fiocruz Amazonas, Olívia Simão, foi aproveitando o gancho do “Outubro Rosa”, que surgiu a ideia de falar de como a ciência ajuda a prevenir o câncer.

“Nesse processo, trouxemos pessoas do parlamento, no caso, a deputada Alessandra Campêlo, cientistas e pacientes que passaram por processo de câncer, para que pudéssemos ter um diálogo e cada um pudesse colocar as suas perspectivas, tendo como costura, a necessidade de empoderarmos a mulher na ciência e colocarmos a ciência como pauta prioritária de um governo, tanto para saúde, especificamente, mas, também para toda área de desenvolvimento do Estado”, disse a professora.

Olívia explicou que a ciência brasileira sofreu uma grande retração nos investimentos, e no Amazonas a situação ficou ainda mais complicada, quando no ex-governo José Melo, reduziu drástica nos investimentos que eram direcionados para pesquisa e desenvolvimento.

“Nós perdemos a secretaria de ciência e tecnologia, que era uma articuladora e uma captadora de recursos, então, estamos nesse movimento, chamando a atenção para o governo e para os governantes, por meio do parlamento, mostrando a importância de colocarmos a ciência como pauta prioritária”, disse a professora.

O diretor da Fiocruz, Sérgio Luiz Bessa Luz, disse que ciência e tecnologia para a saúde é algo bastante importante para a população brasileira, para o país e para a autonomia de qualquer Região e Estado, principalmente um Estado igual o Amazonas, que tem diversos potenciais para desenvolver pesquisas e soluções para a saúde.

“Somos o único Estado com ligações via fluvial, por isso, a saúde se divide, não apenas em tecnologia e produtos, como no saber cuidar das diferentes populações. Temos uma população muito rica e diversa culturalmente, isso se traduz em diferentes modos de cuidar e diferentes ações que precisam ser implementadas para que a saúde, a ciência e tecnologia sejam efetivas”, disse o diretor.

Por outro lado, segundo o diretor da Fiocruz, o Amazonas tem grande potencial biotecnológico que precisa ser melhor explorado, com soluções para a saúde, em relação a biofármacos, fitoterápicos, na qual a região apresenta uma mega diversidade para estudo e pesquisa.

A pedagoga e advogada Gina Gama, comentou um pouco da experiência que teve em um tratamento de câncer. A pedagoga disse que decidiu, desde muito jovem, que faria anualmente, sempre no mês de outubro, exames preventivos. “Quando foi no final de 2016, fui fazer meus exames e foi detectado que eu estava com câncer de mama em fase inicial”, disse pedagoga.

Gina Gama disse que o impacto da palavra câncer é bastante assustador. Mas, resolveu mudar o ritmo e cuidar da doença. Apesar de todos os cuidados, a pedagoga disse que teve que voltar para mesa de cirurgia, por ser detectado que havia um extensor. “Os exames detectaram que eu não havia histórico genético e não havia casos na minha família, mesmo assim, tive que fazer a mastectomia radical, com implantação de prótese de silicone. Me operei em 2017 e ainda estou em tratamento”, disse.


Fotos: Eduardo Gomes



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