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Superman 4.0: filme com Christopher Reeve completa quatro décadas com retorno às telas

Dizer que “Superman” é o “Cidadão Kane” (considerado o melhor filme de todos os tempos) entre as adaptações dos quadrinhos não está longe da verdade. Lançado há 40 anos como a primeira superprodução extraída dos gibis, o longa ainda serve de inspiração às novas investidas das editoras DC Comics e Marvel no cinema.

“Se tornou uma referência para todos esses filmes que são feitos hoje, o que foi admitido por Christopher (‘Batman – O Cavaleiro das Trevas’) e Patty Jenkins, de ‘Mulher Maravilha’. Aliás, este último é o melhor de todos lançados recentemente pela DC”, registra André Azenha, autor do livro “Batman e Superman no Cinema”.

Para quem só viu o filme quarentão (a estreia americana foi em 10 de dezembro de 1978 e, no Brasil, só chegaria em 6 de abril do ano seguinte) na “Sessão da Tarde”, a efeméride levou a Warner a produzir uma versão remasterizada em 4K. As exibições serão na terça-feira (4), às 20h, nas salas do BH Shopping e Pátio Savassi.

“Estou bem ansioso. Sempre quis ver o primeiro ‘Superman’ no cinema, pela excelência que tem. Podemos dizer que é um clássico moderno”, registra Thiago Rique, editor do blog kryptonauta.blogspot.com, especializado no Homem de Aço criado nos quadrinhos em 1938 pela dupla Joe Shuster e Jerry Siegel.

Rique destaca que “Superman” foi um divisor de águas, elevando o padrão das adaptações de HQs, que antes não passavam de fitas B, com efeitos especiais simplórios. “Foi o primeiro a mostrar o Superman voando. Tanto que a publicidade do filme ressaltava a ideia de que o homem poderia voar”.

Apesar de ter sido uma produção tumultuada, com estouros de orçamento (pela primeira vez, filmaram duas partes de uma vez) e brigas do diretor Richard Donner com os produtores, os problemas não afetaram a qualidade final do longa, que tinha no elenco nomes de ponta como Marlon Brando e Gene Hackman.

“O filme agrada a todo mundo, especialmente em sua primeira metade, quando ganha ares de épico ao mostrar a jornada americana do herói até se descobrir como um alienígena e fazer uma viagem de autoconhecimento. A história tem um apelo universal, exibindo a essência do personagem, como sinônimo de esperança e inspiração”, analisa Rique.

Verossimilhança

Para Azenha, Donner é uma das razões do sucesso do filme. “Ele deu verossimilhança, fazendo questão de fugir à referência de sucesso que tinham até então, que eram as séries do Superman, com George Reeves, e do Batman. Apesar de hoje ser cult, a do Batman era espalhafatosa e engraçada, ingredientes que Donner não queria”.

Azenha também assinala a sorte que Donner teve ao encontrar o ator certo para viver o Homem de Aço. “Christopher Reeve soube incorporar o personagem, evidenciando hombridade, seriedade e altruísmo, mesmo vestindo ma cueca por cima do calção”, sublinha.

O primeiro "Superman" foi feito juntamente com a continuação

Uma curiosidade que poucos sabem além dos fãs do herói é que “Superman – O Filme” foi realizado juntamente com a segunda parte, lançada três anos depois. Esse desconhecimento tem a ver com os créditos da continuação, em que se vê o nome de Richard Lester na direção.

Na verdade, Richard Donner chegou a fazer boa parte das cenas do segundo. Só não completou porque o orçamento tinha extrapolado, interrompendo as filmagens para focar no lançamento do primeiro. Ao retomar a produção, Donner acabou brigando com os produtores e saiu do projeto.

Marlon Brando e Gene Hackman foram solidários ao cineasta e também saíram, levando a mudanças no roteiro. As cenas de Brando como pai de Superman foram cortadas e Hackman ganhou dublê para terminar as sequências que faltavam.

Lester, que tinha um pé na comédia, enxertou cenas mais leves. “A mão dele não chega a prejudicar o filme, mas no terceiro, que ele fez do início ao fim, sim”, compara André Azenha, lembrando que a versão de Donner foi lançada em 2006, em DVD.

Nas últimas produções, Superman ganhou ar mais sombrio, diferente da ingenuidade presente no longa de 1978. O messianismo de agora, no entanto, já era uma característica do personagem. “Criado por dois judeus, podemos fazer um paralelo entre a história dele e a de Moisés”, salienta Thiago Rique. "Como o profeta bíblico, ambos foram enviados pelos pais verdadeiros para serem criados por outra família. Enquanto Moisés foi deixado num cesto, no rio Nilo, Superman foi posto num foguete em direção à Terra”.


Por Paulo Henrique Silva
Fonte: Hoje Em Dia



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