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FCecon inicia mutirão para zerar fila de conização

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), deu início ao mutirão de conizações, neste sábado (09/03), com a realização de 10 procedimentos. As pacientes da FCecon que estavam aguardando na fila tiveram suas conizações antecipadas através do mutirão, que pretende zerar a espera pelo procedimento na unidade hospitalar, que é referência na região Norte no tratamento de neoplasias. A conização é o procedimento que realiza a retirada de lesões precursoras de câncer de colo uterino causadas pelo Papilomavírus humano (HPV). O mutirão faz parte das ações do ‘Movimento Estadual Março Lilás’ de combate ao câncer de colo uterino, e ocorrerá durante os sábados deste mês.

As mulheres atendidas neste sábado possuem idade entre 28 a 52 anos, com procedimentos que estavam anteriormente agendados para ocorrerem entre os dias 22 de março à 04 de outubro deste ano. De acordo com o diretor-presidente da FCecon, mastologista Gerson Mourão, a fila de espera, até novembro, para as conizações conta com um total de 50 mulheres. “Nós estamos reunindo com o grupo da ginecologia para implementar mutirões, sendo esse o primeiro. A espera dessas mulheres para procedimentos que seriam realizados até novembro era muito grande, e isso poderia dificultar a qualidade de vida delas. Nossa meta é realizar 40 conizações até o final de março e depois regularizarmos esses procedimentos para zerar a fila”.

O diretor-presidente ressaltou ainda que os ginecologistas da FCecon apresentaram um plano de ação estratégica para implementação de mutirões permanentes de prevenção e tratamento do câncer de colo uterino em todo o Estado do Amazonas. “A ideia é levar levar essas ações de prevenção e conização para os municípios. É importante que todos estejam engajados nessa causa para que juntos possamos erradicar o câncer de colo uterino em nosso estado”.

No primeiro dia do mutirão, uma equipe composta por três ginecologistas, dois anestesistas, três enfermeiras e cinco técnicos de enfermagem, responsáveis pelos procedimentos, que iniciaram as 08h e foram concluídos por volta das 12h. As dez salas do centro cirúrgico da unidade hospitalar que foram reservadas funcionaram em forma de rodízio para atender as pacientes já selecionadas dos municípios de Carauari, Barreirinha, Urucará, Codajás e Manaus.

Fernanda Azevedo, de 32 anos, é autônoma e foi uma das pacientes atendida no mutirão. Ela foi encaminhada à FCecon em setembro de 2018, depois de ter realizado um exame preventivo em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). “Eu estava há três anos sem realizar o exame preventivo e sentia muita cólica e dor na região pélvica, então resolvi procurar um médico. Com um mês chegou o resultado apontando uma lesão alta grave e fui encaminhada para uma policlínica e depois para a FCecon. Fiz todas as consultas, exames e o procedimento seria dia 26 de abril. Foi quando me ligaram dizendo que seria adiantado, e eu achei melhor, porque já estava ansiosa e aguardando pela conização”.

Segundo a médica ginecologista da FCecon, Mônica Bandeira, a conização é uma pequena cirurgia para retirar a parte do colo uterino que apresenta uma inflamação. “Essas inflamações vem antes do câncer de colo uterino, que é o que chamamos de precursoras. Então a gente retira de uma forma muita rápida essa parte do colo que está doente e essa paciente não terá câncer de colo uterino, pois o índice de cura pode chegar até 95% após o procedimento”.

A especialista alerta ainda para o acompanhamento da paciente dentro da fundação. “Após a conização, a paciente fará acompanhamento a cada seis meses, por um período de um ano, com a realização de Preventivo e Colposcopia. Em seguida, receberá alta da FCecon e voltará a fazer o seu exame de preventivo anualmente na rede básica de saúde”, disse Mônica Bandeira.

O médico ginecologista da FCecon e presidente da Associação Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (Assago), Gilson Corrêa, explica que o procedimento evita a progressão do câncer de colo uterino. “Antes da mulher apresentar o câncer de colo uterino de forma invasora, é detectado uma lesão, que é uma manchinha branca que aparece no colo. Essa mancha pode ser visualizada no exame preventivo e confirmado posteriormente através de uma biópsia. A conização é recomendada após a realização desses exames e acompanhamento, sendo um procedimento curativo nas fases inicias do câncer”.

Ele salienta que o Amazonas tem a maior incidência do Brasil em câncer de colo uterino, com uma média de 58 novos casos para cada 100 mil mulheres. “Estamos no olho do furacão do câncer de colo uterino e precisamos atuar de forma ostensiva para combater essa doença, que acomete mulheres geralmente a partir da faixa de 35 anos. Temos que cuidar delas para que possamos evitar que mortes continuem a acontecer por conta dessa doença”, afirmou Gilson Corrêa.

Prevenção – O câncer de colo uterino pode ser evitado por meio de três atitudes: a vacinação contra o HPV, o uso de camisinha nas relações sexuais e exame preventivo anual – para detecção das inflamações precursoras da doença ou câncer na fase inicial.

Papilomavírus humano (HPV) -
É um vírus muito contagioso, adquirido sexualmente, causa além de verrugas genitais, vários tipos de câncer em ambos os sexos – como colo uterino, vagina, pênis, garganta e ânus.


Foto: Roberto Carlos / Secom




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