Estados amazônicos apresentam potencialidades do turismo em seminário na Suframa

A abundância dos atrativos e potencialidades naturais da Amazônia e a necessidade de integração dos estados amazônicos visando à oferta de roteiros conjuntos e ao fortalecimento do turismo regional foram ações destacadas nesta terça-feira (9), no auditório da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), durante o segundo dia do seminário “O turismo como vetor de desenvolvimento da Amazônia”. 

A mesa de abertura do evento foi composta pelo superintendente da Suframa, Alfredo Menezes, pelo vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida, e pela diretora-presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Rosilene Medeiros. Após o pronunciamento das autoridades, o evento seguiu, na parte da manhã, com apresentações de dirigentes de órgãos governamentais ligados ao turismo nos Estados do Pará, Roraima, Rondônia e Amazonas.

Crescimento no Pará

O secretário adjunto de Turismo do Pará, Andre Orengel Dias, afirmou que, em 2018, o Estado recebeu pouco mais de um milhão de turistas nacionais (904.510) e internacionais (119.610), o que representou um crescimento de 2,5% em relação a 2017 e possibilitou a geração de R$ 703 milhões em receitas para o Estado. Como principais motivos para o crescimento, ele citou a ampliação de vôos internacionais e a diversidade das alternativas turísticas paraenses, contendo roteiros com atrativos naturais, musicalidade ímpar, praias de água tanto doce quanto salgada e eventos religiosos de grande mobilização popular (Círio de Nazaré, em outubro, e Sairé, em setembro, são maiores exemplos).

As experiências gastronômicas – simbolizadas pelo açaí, pato no tucupi, maniçoba e cachaça de jambu, entre outros – também são referências do Estado. Belém, a capital, detém o título de Cidade Criativa na Gastronomia concedido pela Unesco (em todo o mundo são aproximadamente 20 cidades reconhecidas com o mérito e, no Brasil, apenas três). O secretário informou também que o Mercado Ver-o-Peso, referência gastronômica da capital e um dos maiores mercados a céu aberto da América Latina, está em processo de ser considerado patrimônio cultural da humanidade.

Além de apostar na construção de parques ambientais e urbanos, como o parque zoobotânico Mangal das Garças, o Pará também está se mobilizando para participar ativamente do programa “Investe Turismo”, desenvolvido pelo Ministério do Turismo em parceria com o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Dias informou que o programa será lançado no Estado no próximo dia 5 de agosto e que três rotas serão inicialmente contempladas: “Queijo Marajó”; “Comida Ribeirinha”; e “Peixe da Esquina”.

Reservas indígenas

Na apresentação de Roraima, de acordo com o diretor do departamento de Turismo do Estado, Bruno Dantas Brito, o etnoturismo parece ser a grande aposta de Roraima para engrenar no turismo e gerar emprego e renda para comunidades indígenas, empreendedores e prestadores de serviço de uma forma geral. Além de trabalhar com roteiros turísticos já conhecidos, como o Monte Roraima, e de opções como o turismo rural e passeios para observação de aves, o Estado – cujo território é composto em mais de sua metade por terras indígenas – está aguardando deliberações por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre a proposta para desenvolver legalmente o turismo em comunidades indígenas, a começar pela reserva Raposa Serra do Sol (sendo que ao menos treze comunidades já oficiaram o anseio para desenvolver o turismo em suas terras).

Ainda conforme Brito, as terras indígenas possuem belezas naturais e paisagens extraordinárias, bem como experiências culturais e gastronômicas únicas. Ainda assim, as comunidades indígenas ainda não têm expertise para trabalhar o turismo e precisam do apoio estatal para desenvolver a atividade. Ele também chamou a atenção para a necessidade de criação de ferramentas que possam mensurar a quantidade de visitantes e outros indicadores turísticos no Estado, que ainda não possui oficialmente formas de apurar e divulgar estatísticas do setor.

Estruturação da cadeia

Já o coordenador de Turismo do Governo de Rondônia, Saulo Giordane, afirmou que o Governo do Estado está buscando, como primeiro passo, estruturar adequadamente a área de turismo, a partir da formação do Conselho Estadual de Turismo e da elaboração de uma política conjunta para inserir, de fato, Rondônia como produto turístico da Região Norte. Segundo Giordane, Rondônia se diferencia por contar com quatro ecossistemas – florestas, cerrados, serras e pântanos – e apresentar potencialidades principalmente para o ecoturismo, turismo de aventura e turismo rural.

Com mais de 800 espécies de peixes, a pesca esportiva é uma grande referência. Nesse sentido, a cidade de Porto Velho busca, atualmente, o reconhecimento como capital da pesca esportiva no País. Há também uma mobilização para estimular o turismo interno a partir de vantagens e condições diferenciadas para mais de 50 mil servidores públicos do Poder Executivo estadual, bem como projeto para fomentar o sentimento de pertencimento a jovens da rede pública de ensino.

Outras iniciativas que estão ocorrendo são o projeto de sinalização de 22 municípios, a oferta de mais de 600 cursos de capacitação para agentes e guias turísticos – hoje uma profissão carente no Estado –, a realização da Feira Estadual de Turismo, prevista para meados de novembro, e o desenvolvimento do aplicativo “Rondônia tem tudo”, ferramenta de comunicação no formato do portal TripAdvisor que trará informações específicas de Rondônia e deverá ser lançado ao longo dos próximos dois meses. Giordane comentou, ainda, sobre a intenção de realizar um projeto integrado com os Estados do Amazonas e do Acre para promover uma espécie de “rally” da Amazônia.

Oportunidades no Amazonas

Os gargalos e as oportunidades de crescimento do turismo do Estado do Amazonas foram apresentados conjuntamente pela diretora-presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), Rosilene Medeiros, pelo secretário Executivo de Desenvolvimento da Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti-AM), Renato Freitas, e pelo secretário de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz.

Medeiros destacou a capacidade do turismo de impulsionar a economia agregando valor aos mais variados segmentos, bem como o fato de o Estado do Amazonas possuir mais de 97% de sua floresta conservada. Ela citou também as linhas de ação da Amazonastur, entre elas a reestruturação do Fórum Estadual de Turismo, a elaboração do Plano Estadual de Turismo do Amazonas, com ações válidas até 2030, e a adequação da Lei Estadual de Turismo. Outras ações mencionadas foram a instalação de infraestrutura de receptivo, com informes importantes sobre licitação para reforma do Centro de Atendimento ao Turista na Praça de São Sebastião, em Manaus, e para reforma do aeroporto de Barcelos, tendo em vista que a temporada da pesca esportiva naquele município começa no mês de setembro, e a implementação de sinalização turística em diversos municípios de interesse no Interior.

O representante da Seplancti-AM, Renato Freitas, destacou, principalmente, a necessidade de fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais (APLs) do turismo ecológico e do turismo rural no Estado. Ele mencionou, ainda, projeto do Governo do Estado para criação do Corredor de Integração Territorial ao longo da BR-319, destacando a importância do funcionamento da rodovia para a integração e a ampliação do fluxo turístico de toda a região, e apresentou a sugestão da criação de um Fórum de Turismo Regional, que reuniria os principais atores da cadeia turística amazônica, periodicamente, para discussão de diretrizes e ações conjuntas de planejamento.
O secretário de Cultura do Amazonas, Marcos Apolo Muniz, por sua vez, apresentou as oportunidades a partir do turismo cultural, incluindo roteiros ligados ao turismo cívico, gastronômico, étnico, cinematográfico e religioso. Ele também chamou atenção para a existência do aplicativo “Cultura.AM” e antecipou que, em breve, será lançado um portal exclusivo sobre o Teatro Amazonas, maior referência cultural e turística no Estado e reconhecido pela revista Forbes como um dos 15 teatros mais bonitos do mundo (sendo o único do Brasil na lista).


Foto: Márcio Gallo


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