Codese aponta estratégias econômicas para o futuro da cidade de Manaus

Representantes de diversos segmentos econômicos e sociais de Manaus participaram, nesta segunda-feira (26), da quinta plenária ordinária do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico de Manaus (Codese Manaus), que aconteceu no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Amazonas. A pauta do encontro incluiu deliberações sobre o processo eleitoral da entidade para o biênio 2020-2022 e exposições sobre o andamento dos trabalhos das suas seis Câmaras Técnicas, que tratam de temas relevantes para o futuro da capital amazonense.

Durante a plenária, também foi instituída a sétima Câmara Técnica do Codese Manaus, dedicada ao estudo e à proposição de ações com foco na Indústria 4.0, que engloba o uso de tecnologias como Inteligência Artificial e Biologia Sintética. “A Indústria 4.0 é um núcleo de algo muito maior, a Quarta Revolução Industrial, que envolve inovações nas áreas de transporte, segurança e saúde, ou seja, trata das chamadas cidades inteligentes, que buscam a racionalização dos recursos para a melhoria na qualidade de vida das pessoas”, explicou o coordenador da nova Câmara Técnica, o Prof. Manoel Cardoso, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo ele, é preciso preparar o Polo Industrial de Manaus (PIM) para essa transformação sem volta, estimulando uma remodelagem na estrutura da indústria local. “Temos que instalar em Manaus indústrias de produtos com alto valor agregado, cujas margens de rentabilidade não sofram tanto impacto dos incentivos fiscais, criando um PIM mais competitivo”.

Junto com representantes do Codese, da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e da Ufam, Cardoso integrou uma comitiva que visitou, no início de agosto, a Universidade de Aachen, onde se concentram os principais estudos sobre a Indústria 4.0 na Alemanha. “Enquanto outros países da Europa transferiram suas matrizes industriais para o Terceiro Mundo, a Alemanha privilegiou a manutenção da sua manufatura com foco em tecnologias que simplesmente eliminaram fases do processo. Não podemos estar de costas para essa experiência”, afirmou.

DIVERSIFICAÇÃO

Segundo o empresário Romero Reis, vice-presidente do Codese e coordenador da Câmara de Atração de Investimentos e Ambiente de Negócios, o objetivo do Conselho até 2038 é inserir Manaus entre as 10 melhores cidades para se fazer negócios e entre as 20 melhores para se viver. “Não é uma tarefa fácil, por que não temos o poder da caneta, e o grande inimigo do desenvolvimento das cidades é a descontinuidade das políticas públicas”, avaliou.

De acordo com ele, esse cenário pode ser melhorado com a adoção de estratégias que incluam a promoção da cultura do empreendedorismo e a diversificação da matriz econômica local. “O Codese vem se consolidando como porta-voz da sociedade civil organizada. As Câmaras Técnicas estão se prontificando em estudar os temas relevantes para nós e em entregar melhorias, soluções e ações para que a cidade gere desenvolvimento e emprego”, disse.

Uma das metas do Codese é que 2/3 do PIB da cidade de Manaus seja gerado fora do PIM até 2038. Para isso, o Conselho também se propõe a estudar novos segmentos econômicos relevantes, que são o foco da Câmara Técnica coordenada pelo gestor Ulisses Tapajós. O grupo já identificou cinco matrizes econômicas regionais a serem desenvolvidas: turismo, piscicultura, mineração, bioeconomia e economia digital.

“A proposta é que esses nichos de mercado complementem o PIM e contribuam para gerar uma receita de R$ 60 bi e 60 mil empregos nos próximos anos”, destacou Tapajós. “Para isso, vamos contratar uma consultoria internacional que apresente em até seis meses um estudo com propostas concretas para o desenvolvimento desses nichos. Já conseguimos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) 50% dos recursos para essa consultoria e esperamos conseguir o restante com o poder público em parceria com a iniciativa privada”.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB/AM), Marco Aurélio Choy, colocou a entidade à disposição do Codese. “Não tenho dúvidas de que as causas levantadas pelo Codese são as causas de interesse da sociedade amazonense. A OAB tem um corpo técnico capacitado para ajudar o conselho a contribuir com Manaus. Todos devemos ajudar o local onde vivemos”, destacou.

O presidente do Codese, empresário Antônio Azevedo, ressaltou que a pluralidade de estudos representa a contribuição do conselho, composto por 24 entidades, para construir uma Manaus mais digna a partir de infraestrutura urbana adequada às demandas coletivas e com economia fortalecida a partir da instalação de novos e perenes negócios, que deverão gerar emprego e renda para a população local.




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