Ataque americano em Bagdá mata poderoso comandante iraniano

O mais alto comandante do setor de inteligência e das forças de segurança do Irã foi morto nesta sexta-feira (03/01), num ataque com drones no aeroporto de Bagdá ordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O comandante, o general Qassim Soleimani, era líder da poderosa Força Quds da Guarda Revolucionária do Irã, responsável pelo serviço de inteligência e por conduzir operações militares secretas no exterior. Ele foi morto – assim como vários membros de milícias iraquianas apoiadas por Teerã – quando um drone americano MQ-9 Reaper disparou mísseis contra um comboio que deixava o aeroporto.

"Por ordem do presidente, as Forças Armadas dos Estados Unidos tomaram medidas defensivas decisivas para proteger o pessoal americano no estrangeiro, matando Qassem Soleimani", disse o Departamento de Defesa americano, em comunicado divulgado na quinta-feira.

Acredita-se que Soleimani esteve por trás de praticamente todas as operações significativas da inteligência e das forças militares iranianas durante as duas últimas décadas. Sua morte não só é um duro golpe para o Irã como tem potencial para escalar a tensão no Oriente Médio.

O Departamento de Defesa acusa Soleimani de aprovar o ataque inédito à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá no início desta semana. Assim, disseram os EUA, o ataque ao general "teve como objetivo dissuadir futuros planos de ataque iranianos".

O líder supremo do Irã prometeu vingar a morte do general. "O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires", afirmou Ali Khamenei.

Antes dele, o chefe da diplomacia iraniana já tinha avisado que o ataque ordenado por Trump constitui uma "escalada extremamente perigosa". "O ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos é extremamente perigoso e uma escalada imprudente", afirmou Mohammad Javad Zarif, no Twitter.

O bombardeio também matou Abu Mehdi al-Muhandis, o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, conhecida como Mobilização Popular [Hachd al-Chaabi].

As autoridades dos Estados Unidos foram alertadas para possíveis ataques de retaliação iranianos, possivelmente incluindo ciberataques e terrorismo, também contra interesses e aliados americanos.

Israel se prepara para eventuais ataques iranianos. Alguns dos locais turísticos mais populares do país, incluindo o resort de esqui de Hermon, foram fechados, e as forças armadas entraram em alerta, disseram as autoridades.

Ao mandar matar Soleimani, Trump tomou uma decisão que os presidentes George W. Bush e Barack Obama haviam rejeitado, temendo que isso levasse a uma guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

Muitos republicanos saíram em apoio a Trump após ataque - o uso mais significativo da força militar americana até a data -, mas os críticos criticaram o bombardeio como uma escalada unilateral imprudente que poderia ter consequências drásticas no Oriente Médio.

Após o ataque, Trump se limitou a postar uma bandeira americana no Twitter.

Herói nacional no Irã

Para o Irã, a morte de Soleimani representa a perda de um ícone cultural, que simbolizava o orgulho nacional e a resiliência enquanto o país enfrentava os EUA e suas sanções.

Embora tenha tido o cuidado de evitar envolver-se publicamente na política, a figura de Soleimani ganhou importância perante as forças americanas e israelenses, que atribuem a ele os vários ataques por procuração iranianos no Oriente Médio.

Soleimani, que sobreviveu a várias tentativas de assassinato nas últimas décadas arquitetados por americanos, israelenses e potências árabes, ganhou status de herói em seu país ao longo dos anos.

As forças armadas convencionais do Irã sofrem há 40 anos com sanções americanas, mas a força de elite de Soleimani conseguiu com sucesso construir um programa de míssil balístico. A Força Qods pode, além disso, atacar na região através de forças como o Hisbolá do Líbano e os rebeldes Houthi do Iêmen.

Como chefe da Quds, Soleimani liderou todas as ações secretas no exterior das últimas décadas e frequentemente se deslocava entre Iraque, Líbano e Síria. Os membros da Força Quds foram, por exemplo, destacados para a longa guerra da Síria para apoiar o presidente Bashar al-Assad, bem como para o Iraque na sequência da invasão americana de 2003 que derrubou o ditador Saddam Hussein, um inimigo de longa data de Teerã.

Muitos consideram que Soleimani era a segunda pessoa mais poderosa do Irã, atrás apenas de Khamenei, e, provavelmente, à frente do presidente Hassan Rohani. Através de uma mistura de operações secretas e coerção diplomática, ele foi mais responsável do que ninguém no país por projetar a influência do Irã na região.

A escalada de tensão ocorre no momento em que o Iraque já estava à beira de uma guerra por procuração de potências da região, e pouco depois de um cerco de dois dias à embaixada dos EUA em Badgá por uma multidão de militantes iraquianos. O Pentágono acusou Soleimani de ter coordenado o ataque.


RPR/rtr/ap
Fonte: dw




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