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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Com sessões esgotadas, “encontro com o teatro” promovido pelo Teatro Lâmina prorroga temporada


Em julho, após quatro meses de isolamento social e diante de um cenário cultural composto por espetáculos transmitidos via lives, peças formatadas para o Zoom, Youtube e outros formatos digitais, o Teatro Lâmina, idealizado pela atriz e diretora Viviane Monteiro, estreou Onde você estava, se você nem saiu de casa?. Neste trabalho, cada um dos cinco artistas da companhia abre uma chamada de vídeo, pelo aplicativo WhatsApp, com um espectador, promovendo uma experiência-conexão de um para um a partir dos recursos do teatro físico. Com as primeiras datas de agosto esgotadas, a peça prorroga temporada até dia 23 de agosto, domingo. Nesta semana, haverá sessões sábado e domingo, às 18h30 e às 20h. Nos últimos dois dias de peça, as sessões serão triplas, acontecendo as 18h30, 19h30 e 20h30 - sábado (22/08) e domingo (23/08).

Viviane Monteiro, que assina direção e dramaturgia, define o experimento como uma “conexão direta entre o teatro e o público” para tempos de saudade do palco. Na obra, cada ator personifica algum elemento que compõe o espaço físico do teatro e inicia sua interação com o público a partir disso. As personagens são Zé Linóleo (Inácio Marçal), Dona Proscênia (Giovanna Koyama), Rita Camarim (Inaiê Kariny), Ana Ribalta (Julia Azzam) e Maria Coxia (Giovanna Kuczynski). “Trata-se de um exercício para manter imaginação viva por meio da interação com o espectador. Segundo Grotowsky ‘em cada espetáculo que existe uma influência espontânea dos espectadores sobre os atores, e vice-versa, funciona a especificidade da teatralidade’ e é muito gratificante ver o quão teatral e real esta conexão pode ser”, conta a diretora.

Viviane ressalta que, mesmo durante a temporada, ela e o elenco se encontram pelas chamadas de vídeos três vezes por semana para ensaiar. “Às vezes focamos em um texto específico, mas em muitos momentos trabalhamos exercícios de respiração, já que o ar e o desenho da voz é o que nos resta do teatro físico neste momento”, diz a diretora do projeto. Com vasta experiência na área, a artista reforça que o maior desafio da encenação é evidenciar o corpo e todas suas possibilidades para que se conte uma história.

Versão para os palcos

Devido à receptividade positiva da parte do público, Viviane já elabora uma adaptação do trabalho para os palcos, levando todas as personagens para uma cena em que elas interagiriam entre si, com distanciamento, contando quem são e como compõem juntas o espaço físico do teatro.

A diretora ressalta que essa versão também reforçaria uma ação educativa de apresentar poeticamente as partes do teatro ao público – uma forma de fazê-lo ganhar mais intimidade com o espaço cênico e se afeiçoar mais ao teatro. A adaptação ainda não tem data definida de estreia.

É válido lembrar que, antes da recomendação de isolamento social, o Teatro Lâmina interrompeu a montagem de uma peça infanto-juvenil baseada no livro Onde nascem as estrelas - Doze lendas brasileiras, de Clarice Lispector, que já estava em fase final de ensaio.

Sobre a concepção cênica

A dramaturgia de Onde você estava, se você nem saiu de casa? parte de informações sobre o teatro que são costuradas com trechos de textos como Soneto 66, de William Shakespeare; As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, e o poema Soube que vocês nada querem aprender, de Bertold Brecht. A base de todo texto é praticamente a mesma para os atores do Teatro Lâmina, com exceção dos momentos em que falam sobre as características do teatro ligadas aos seus nomes e aos dramaturgos citados acima.

Viviane conta que, mesmo estabelecendo um encontro de um para um, o espectador não assistirá a uma peça de teatro. Ele viverá uma experiência de se conectar com o teatro. “É como se fosse uma chamada de vídeo com o teatro e o público poderá se conectar a partir da personificação deste espaço”, complementa.

Na concepção de uma cena que se resume a uma tela de celular com a câmera posicionada na direção vertical, Viviane conta que a criação coletiva do grupo potencializou a linguagem do teatro físico, característica do Teatro Lâmina. Conta também sobre as influências diversas, como a improvisação e espontaneidade dos atores da commedia dell'arte, o jogo cênico dos clowns, além de técnicas de respiração e articulação que o grupo desenvolve.

“Acredito piamente que o teatro é a arte do ator. Essa experiência – apesar de não a considerar ‘teatro’ – é tão efêmera quanto uma peça teatral. Nós dominamos este pequeno espaço virtual e permanecemos em estado de prontidão, assim como no palco”, finaliza a diretora.

Sinopse

Zé Linóleo, Dona Proscênia, Rita Camarim, Ana Ribalta, Maria Coxia, são Teatro. Todos estão aqui há mais de cem anos e procuram por alguém para dividir suas histórias já que ninguém os visita mais. Os personagens interagem com os espectadores em um formato um para um, mostrando um pouco de suas realidades dentro de “casa” e os convidando para refletir e se conectar com o que faz a magia acontecer neste lugar.


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