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terça-feira, 11 de agosto de 2020

Servidoras da FCecon são destaque com artigo nacional sobre terapia para alívio de dor

Controlar a dor em pacientes oncológicos, decorrente de tumores, utilizando tecnologia baseada em laser. Essa técnica, conhecida como laserterapia, é oferecida aos pacientes da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), unidade vinculada à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), e foi destaque na revista científica “Brazilian Journal of Health Review” no final do último mês de julho.

Na FCecon, a técnica que utiliza laser é oferecida pelos serviços de Odontologia, de Fisioterapia e de Estomoterapia, especialidade da enfermagem que atua no tratamento de feridas. O método é usado para aliviar dores, para atuar em processo inflamatório e para regeneração e cicatrização de tecidos.

O trabalho intitulado como “Laserterapia em paciente com Algia Facial por Compressão Tumoral: Um Relato de Experiência” foi produzido pelas servidoras da Fundação Cecon, Ana Elis Guimarães, enfermeira oncologista, e Júlia Mônica Benevides, também enfermeira oncologista que atua no Departamento de Ensino e Pesquisa da instituição. O artigo está disponível no link (https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/14089).

Dor – Na Oncologia, a dor é um dos principais sintomas, constituindo uma das maiores causas de incapacidade e sofrimento para pacientes em progressão da doença. Por isso, é necessário o seu controle, do mesmo modo como é feito em relação aos demais sinais vitais.

No caso analisado no artigo, de julho de 2019, a paciente da FCecon se encontrava internada numa unidade de referência em neurocirurgia da Susam, onde aguardava o procedimento para retirada de tumor cerebral. Idosa, a paciente apresentava fortes dores na face, decorrente de extensa lesão tumoral em região posterior do encéfalo, o que provocou compressão dos nervos da face. Ela era portadora de neuralgia do trigêmeo, que é uma síndrome crônica incomum que pode acometer um ou os dois lados do quinto par de nervos cranianos.

A síndrome é caracterizada por crises recorrentes de dor facial aguda, tão intensa que impacta na mastigação, deglutição, fala, e torna dificultoso para o paciente até mesmo sorrir.

“Tendo essa dor, você precisa fazer o máximo de analgesia, e foi o que estava sendo feito. Só que, mesmo com todo este suporte, ela não saía da crise, não conseguia melhorar pra voltar a falar e a se alimentar. Foi quando entramos com a laserterapia”, explica a enfermeira Ana Elis.

Tecnologia – Para tratar o sintoma da paciente da FCecon, foi utilizada a laserterapia, também conhecida como terapia de fotobiomodulação, que consiste em uma radiação eletromagnética com alta intensidade de energia. A laserterapia de baixa intensidade (LBI) é uma alternativa de controle de diversos tipos de dor, sendo um tratamento não invasivo e de baixo custo.

“Como ele (laser) tem uma ação maravilhosa nesse processo inflamatório, reconstituindo o tecido, é semelhante ao processo de fotossíntese das plantas, trazendo nova energia para as células, liberando radicais livres e induzindo o processo de crescimento celular, tendo ação tanto no controle da dor quanto na cicatrização de feridas”, destaca a enfermeira Júlia Mônica Benevides.

Resultados – No caso retratado no artigo, a paciente foi sedada para suportar o desconforto devido às fortes dores, pois nenhum medicamento conseguia controlar a crise.

“Foi feita a laserterapia de quatro em quatro horas, e já nas primeiras horas já foi diminuída a sedação, continuando a medicação para dor. Depois, a paciente começou a falar. Em dois dias, conseguimos tirar a sedação e os opioides, que são uma analgesia mais forte, comumente utilizada na dor oncológica. E a paciente saiu da crise”, comemora Ana Elis. Houve ainda a reinserção de sólidos na alimentação, trazendo maior satisfação à paciente, que não falava nem mastigava.

O artigo concluiu que a tecnologia aplicada no paciente pelas enfermeiras oncologistas e pelas laserterapeutas proporciona novas possibilidades para pacientes oncológicos que apresentem fortes dores, trazendo qualidade de vida.

Multidisciplinaridade – A integração do corpo clínico foi essencial para o sucesso do caso e é, para Benevides, primordial para todos os casos. “Todas as vezes em que uma equipe se une para designar, para conduzir uma terapêutica, todas as vezes em que isso acontece, o paciente tem benefícios que são vistos a olho nu, conseguem-se resultados impressionantes”, afirma Ana Elis, destacando que a laserterapia tem o poder de gerar bons resultados com o trabalho multidisciplinar.

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