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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

#tbt: Garanha, a história do amazonense e ídolo nacionalino


Hoje ele está do outro lado, ainda no gramado, mais precisamente, à beira dele. Robson Ferreira da Silva, o Garanha, o último amazonense a receber o carinho e admiração como ídolo da torcida nacionalina, atualmente, aos 43 anos de idade, é o auxiliar técnico da equipe profissional do Nacional FC. Com saudosismo, ele conta como foi sua carreira dentro de campo, as dificuldades no início da profissão, os bastidores de sua passagem pelo Grêmio- RS, as alegrias com a camisa do Leão e conscidentemente, relembra que sua estreia no Naça, foi justamente diante do Ji-Paraná-RO, próximo adversário do Leão, nesta temporada.

O começo

O garoto que queria ser jogador de futebol teve sua primeira oportunidade na base do Fast Clube e ele não desperdiçou sua chance. O desempenho do atacante foi tão grande que, em 1994, recebeu o convite para defender pela primeira vez as cores do Nacional, iniciando assim sua trajetória azulina. Um fato curioso que Garanha faz questão de relembrar é que sua estreia foi justamente contra o Ji-Paraná, equipe que o Nacional enfrentará pela fase preliminar da Série D, no próximo dia 6 de setembro.

-Foi no Fast que tive a chance de mostrar minha fome de bola. Eu sempre amei jogar futebol e só queria uma oportunidade e ela chegou... Quase não acreditei quando recebi o convite para jogar no Nacional. Fiquei muito feliz e sabia que daria o meu melhor, assim como fiz com a camisa do Fast. Por incrível que pareça, meu primeiro jogo foi pelo Campeonato Brasileiro, na época Série C, justamente contra o Ji-Paraná, no estádio da Colina. Depois desse jogo eu tive mais onze passagens pelo clube-, contou.

Apesar de ter estreado muito jovem pelo profissional do Nacional, o ex jogador revela que enfrentou muitas dificuldades para se tornar jogador de futebol. O centroavante lembra que os pais não tinham muitas condições de ajudá-lo na carreira e disse que sempre precisou trabalhar para ir em busca de seu sonho. Do seu trabalho conseguia comprar seu material e pagar suas passagens para treinar.

-Quando meus pais viram que era realmente o que eu queria e nada me faria mudar, minha mãe me chamou e disse que poderia me ajudar com alimentação, mas infelizmente com as outras coisas não. Eu já tinha um lar e isso para mim, já era muito. Por isso, tive que trabalhar fazendo bicos para comprar chuteira e o restante do material de treino. Também pagava minhas passagens de ônibus. Eu sabia que só dependeria de mim. Meus pais sempre me aconselharam a acreditar que se eu quisesse e lutasse, eu poderia realizar meus sonhos e assim fiz-, afirmou o ex atacante que fez história do antigo Vivaldo Lima.

A estrela baré brilhou para fora

O atacante quase foi para o São Paulo-SP, mas foi fazer os testes machucado e não conseguiu realizar, teve de voltar para Manaus, mas tudo tem um propósito, foi depois dessa decepção que ele foi indicado para o Grêmio. Garanha passou no time gaúcho, em uma das melhores épocas do clube. Na ocasião, o time tinha se sagrado campeão da Copa do Brasil, Libertadores da América e Campeonato Brasileiro.

-Em 1996 fui para o Grêmio. Fiquei dois anos na base e seis meses no profissional. Quando acabou meu contrato, o Grêmio teria de comprar o resto do meu passe, o Nacional tinha 40%, mas o clube decidiu não fazer a compra. Guardo grandes lemnbranças é um clube gigante, com uma história das mais bonitas. Tive a honra de vestir aquela camisa- destacou.

Após voltar para a capital amazonense, ele trabalhou no Nacional com o técnico Vica. No ano seguinte, Vica foi treinar o Goiás, onde levou o centroavante. Garanha ficou cinco meses no time goiano. Ele classifica a passagem como algo de muito aprendizado.

Ídolo da torcida nacionalina

Apesar de ter atuado em outros times amazonenses, Garanha fez história mesmo foi com o Naça e foi alçado ao posto de ídolo pelos torcedores nacionalinos. Também pudera, afinal são cinco títulos amazonenses com o Leão: 1995, 1996, 2000, 2002 e 2012. Foram 45 jogos e 17 gols com o manto azulino.

Dentre os momentos marcantes, tanto os torcedores, quanto o próprio ex atacante, lembram dos dois gols que ele marcou no confronto com o Atlético-MG, válido pela Copa do Brasil de 2008.

- O jogo de 2008 foi histórico, memorável. Estava com 31 anos e tinha acontecido de tudo naquela partida. Machuquei a cabeça, poderia ter saído, mas na hora eu imaginei na oportunidade de disputar um jogo grande. Dei tudo o que tinha ali, minha força, raça, fé e lembrei de tudo o que passei para chegar aquele momento e graças a Deus entrei para a história-relembra.

Na oportunidade, o jogador lembra que Geninho, na época treinador do time mineiro, tentou leva-lo para jogar em Minas Gerais. Mas idade atrapalhou, Garanha já tinha 31 anos e o treinador disse que não podia fazer mais nada, o que de forma alguma abalou o jogador que se sentia realizado.

Chuteiras penduradas? Mais ou menos

Após pendurar as chuteiras, Garanha se tornou treinador de base no próprio Nacional, comandando o time infantil do clube, onde foi campeão estadual, em 2012. Ele garante que sempre se dedicou 100% para o futebol, que enquanto jogador deu seu melhor e como treinador da base não foi diferente. Admitiu que se via em cada garoto, como se não tivesse pendurado as chuteiras.

Após sua experiência como treinador, ele teve certeza de que era aquilo que queria. Como tudo em sua vida, enfrentou alguns obstáculos, mas estudou, se formou e hoje começa uma nova história a beira dos gramados.

- No futebol, acabamos desistindo de algumas coisas, mas graças a Deus, eu voltei a estudar e consegui me formar em educação física. Continuei fazendo muitos cursos, trabalhei em outros clubes e sempre com muita dedicação e amor pelo meu trabalho. Aqui, no Nacional, na primeira passagem pela base, fomos campeões. E hoje tenho essa nova oportunidade e tenho certeza que com essa nova mentalidade da diretoria a comissão técnica toda da casa, nós temos pessoas muito capacitadas para trabalhar e mostrar nosso valor a cada dia- garantiu.

O agora professor Garanha, pai de dois filhos e avô, admite que não foi um atleta perfeito e nunca foi esse seu objetivo. Ele só queria ser jogador de futebol profissional e dar alegria as pessoas com sua profissão. Será que alguém nega que ele realizou seu sonho?

Foto: João Normando e Futebol Amazonense


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