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Reino Unido e União Europeia chegam a um acordo comercial

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PAÍSES BAIXOS – Após meses de negociações, Reino Unido e União Europeia finalmente celebram um acordo comercial para estabelecer a relação entre eles a partir do ano que vem, último passo que faltava para selar a separação entre Londres e Bruxelas. O pacto feito pelos governos põe um ponto final na saga Brexit, após quatro anos de muitos capítulos.

No anúncio oficial, feito na tarde desta quinta-feira, 24, a presidente da Comissão Europeia, Von der Leyen, comemorou a decisão. “Finalmente chegamos a um acordo. Foi um longo caminho, mas temos um acordo justo e equilibrado”, disse ela em entrevista coletiva.

Além disso, a presidente enfatizou que a União Europeia e o Reino Unido continuarão a trabalhar em estreita colaboração no futuro. “Juntos, ainda podemos conseguir mais”, sintetizou.

O primeiro-ministro britânico Johnson também apresenta o acordo como um bom negócio. “Tudo o que foi prometido ao povo britânico no referendo ano de 2016 e nas eleições do ano passado vem com este acordo”, disse em sua declaração oficial.

Fim da incerteza

Em seu discurso, Johnson acrescentou: “Este acordo significa estabilidade e
segurança no que às vezes tem sido um relacionamento difícil”, referindo-se aos anos de difíceis negociações do Brexit entre a União Europeia e o Reino Unido.

Os britânicos temiam que a falta de um acordo comercial jogasse o Reino Unido no caos no início de 2021, aumentando a crise econômica e levando a um cenário de desabastecimento generalizado, já que boa parte dos produtos e matérias-primas chegam ao país através dos membros da União Europeia.

Estudos apontam, por exemplo, que o Reino Unido poderia ficar sem diversos produtos no caso de não haver um acordo, incluindo flores, verduras, legumes, material para construção e até sêmen para inseminação artificial. Portanto, o pacto acordado entre as cúpulas traz consigo um sentimento de alívio para ambos os lados.

“Estaremos de volta ao controle de nosso país e de nosso futuro em 1º de janeiro. Podemos decidir por nós mesmos sobre nossas leis, temos controle total sobre nossa agricultura novamente”, disse o primeiro-ministro britânico. Ele concluiu enfatizando que as duas partes continuam conectadas apesar do Brexit. “Este país continua emocional, cultural e estrategicamente ligado à Europa”, finalizou.

Acordo

O controle fronteiriço, a pescaria, investimento e segurança foram alguns dos temas determinados no acordo.

Sobre fronteira, por exemplo, haverá formalidades alfandegárias. Existirá verificações sobre alimentos, animais e plantas. E não há mais livre circulação de pessoas. Os alunos não poderão mais estudar no Reino Unido por alguns meses através do programa Erasmus. Mas os britânicos continuarão a participar do programa de ciências Horizon.

Os caminhões podem continuar dirigindo se tiverem os papéis certos com eles. E os britânicos podem até transportar carga limitada entre os países da União Europeia, a chamada cabotagem. Isso é limitado a um máximo de dois passeios.

Outro ponto importante das negociações é o do acesso que os pescadores europeus terão ao mar britânico, um assunto politicamente delicado para países próximos, como a França e a Bélgica. Londres aceitou aumentar a quantidade de peixes que os europeus podem pescar por ano em troca de concessões em outras áreas.

Antes do fim

Mas o acordo significa qualquer coisa menos um Natal tranquilo em Bruxelas e Londres. Isso porque ainda não foi aprovado pelo Parlamento Europeu e pela Câmara dos Comuns. Além disso, os textos legais do acordo, que se diz ter muitas centenas de páginas, devem ser traduzidos para todos os 24 idiomas oficiais da União Europeia. E, ainda, o Parlamento Europeu ainda pode aprovar o acordo retroativamente após 1 de Janeiro.