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Amazonas

Cientistas alertam para 3ª da covid-19 no AM: ‘prevemos um resultado ainda pior’

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Em meio à segunda onda de covid-19 que o Amazonas enfrenta, cientistas já alertam sobre uma possível terceira onda, com a possibilidade de novas mutações do coronavírus que podem torná-lo resistente às vacinas.

“Nós já tínhamos avisado sobre a segunda onda de covid-19, desde agosto do ano passado, através de uma publicação científica na revista Nature Medicine, não fomos ouvidos e o resultado foi catastrófico. Agora, nós prevemos um resultado ainda pior do que a segunda onda, onde se esse vírus continuar circulando, pode sofrer novas mutações se tornando resistente às vacinas de mercado”, afirma o biólogo Lucas Ferrante.

Ferrante é mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Ele foi responsável pelo artigo “Políticas do Brasil condenam a Amazônia a uma segunda onda de covid-19”, que previu o colapso na saúde do Amazonas.

O artigo também foi assinado por Luiz Henrique Duczmall, professor do Departamento de Estatística do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Unaí Tupinambás, docente de Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG; Alexandre Almeida, da Universidade Federal de João del-Rei (UFSJ) e Ruth Camargo Vassão, do Instituto Butantan.

Assinam também Philip Martin Fearnside, do Inpa, Wilhelm Alexander Steinmetz e Jeremias Leão, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo Ferrante, “Manaus deve sofrer uma terceira onda de covid-19, se medidas mais restritivas não forem aplicadas imediatamente”. O cientista propõe que seja feito um lockdown de mais de 90% para a população de Manaus, com duração de 20 dias a um mês.

Para ele, a medida extrema deve ser acompanhada da extensão do auxílio emergencial e da vacinação em massa de pelo menos 70% da população, nos próximos três meses.

Megaepidemia no Brasil

O cientista alega, também, que  a aplicação do lockdown deve ser acompanhada da suspensão das viagens no estado. “É extremamente importante que o estado do Amazonas cesse o transporte interestadual e intermunicipal pra [sic] que essa nova variante não continue se disseminando para outros estados e para outros municípios”, disse.

A medida também é apoiada pelo ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recentemente, em entrevista a TV Cultura, falou sobre uma megaepidemia no país.

“O mundo inteiro está fechando os voos para o Brasil e o Brasil está, não só aberto normalmente, como está retirando pacientes de Manaus e mandando para Goiás, mandando para a Bahia, mandando para outros lugares, sem fazer os bloqueios de biossegurança. Provavelmente, a gente vai plantar essa cepa em todos os territórios da Federação e, daqui a 60 dias, a gente pode ter uma megaepidemia”, disse Mandetta.

O alerta foi feito porque, mesmo com a saúde em colapso, Manaus permanece com o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, de portas abertas. E enquanto Alemanha, Portugal, Colômbia e Turquia suspenderam voos para o Brasil por conta da nova variante do coronavírus, em território nacional, não há restrições para de voos.