'Abre e fecha' no estado de São Paulo gera críticas ao governador Agripino

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'Abre e fecha' no estado de São Paulo gera críticas ao governador Agripino



O governador de São Paulo, João Agripino da Costa Doria Junior (PSDB), voltou atrás e anunciou essa semana o fim da Fase Vermelha do Plano São Paulo aos finais de semana e após as 20h nos dias normais. Além disso, Jundiaí, que faz parte da região de Campinas, voltará à Fase Amarela a partir dessa semana. Durante os últimos dias, diversos setores - como o de bares e restaurantes - protestaram contra o novo fechamento e pediram uma alternativa ao governo do estado.

Segundo a gestão de Agripino, as medidas mais rígidas foram canceladas antes do prazo não por conta da pressão dos estabelecimentos, mas porque foi percebida uma melhora nos indicadores de saúde no estado. "Tivemos felizmente queda em internações em todo o estado de São Paulo, tanto em leitos primários quanto em leitos de terapia intensiva (UTI), o que nos permite suspender a decisão de fechamento de atividades econômicas já neste final de semana em todo o estado", afirmou o governador.

O vai e vem e a indecisão do governador paulista têm irritado os donos de estabelecimentos comerciais que ficam à mercê de novos anúncios a cada semana e não conseguem voltar à rotina normal de funcionamento, prejudicando todo o faturamento, os pagamentos dos salários dos funcionários etc.

Outra reclamação bastante recorrente é a falta de auxílio e de um plano que auxilie os proprietários a cumprirem com suas obrigações, como salários dos funcionários, despesas, aluguel etc.

Para Domingos Alves, professor de medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto, as medidas mais restritivas foram "de desespero", e uma maneira de tentar sinalizar para a população que ações estão sendo tomadas para conter o coronavírus. "Mas estão erradas, pois não existem evidências de que elas contenham a taxa de transmissão", comenta.

"Isso vem de uma posição equivocada do secretário de Saúde do Estado, que dizia que a transmissão maior vinha de quem se aglomerava à noite em bares e restaurantes. Mas isso desconsidera quem precisa pegar trem e ônibus para trabalhar ou atende nos comércios, por exemplo", aponta.

O deputado estadual Alexandre Pereira (Solidariedade) diz concordar com a flexibilização da quarentena, desde que baseada em critérios e dados técnicos, mas destaca a importância de respeitar todos os protocolos sanitários, além de defender fiscalização pelos órgãos competentes.

"A flexibilização beneficia principalmente bares e restaurantes, que são os segmentos mais penalizados durante a pandemia. Com o prolongamento das restrições da fase vermelha a tendência era que muitos estabelecimentos fechassem as portas, por isso, defendo um meio-termo, ou seja, manter o comércio aberto seguindo todas as regras para controle da disseminação do vírus. Mas, para isso, é preciso que haja uma fiscalização", analisa.

Presidente da Câmara de Jundiaí, Faouaz Taha (PSDB) afirma que o momento que vivemos é e ainda continuará sendo instável, pois estamos pautados pelo nível de ocupação dos leitos dos hospitais, para que a população possa ter estrutura à disposição. "Mas não podemos negar a realidade dura que comerciantes vêm enfrentando. Nesta semana mesmo, recebi representantes de bares e restaurantes e hotéis da cidade que relataram as dificuldades, muitos fizeram empréstimo, não tiveram nenhum suporte e é preciso que essa mudança de fases compreenda as adaptações que muitos estão fazendo, cumprindo os protocolos. O que defendo é que haja uma organização para que as fases amenizem os prejuízos e que haja um planejamento certeiro", diz.

Ameaças

O governador Agripino (PSDB) disse esta semana que recebe ameaças desde que decretou a primeira quarentena no estado de São Paulo devido à pandemia do coronavírus. "Mortos não consomem, não vão a restaurantes, não fazem compras. Nós precisamos preservar a vida. Ao invés de orientar corretamente a população, é negacionista. Você não pode ser um agente homicida. Não tenho medo de intimidação, cara feia e ameaças. Recebo ameaças desde que decretamos a primeira quarentena em São Paulo", afirmou o governador, comentando as novas restrições impostas ao comércio e municípios.

A primeira quarentena no estado entrou em vigor no dia 24 de março de 2020. No dia 22 de janeiro deste ano o governo voltou a endurecer as regras, colocando todo o estado na fase vermelha do Plano SP aos finais de semana e, durante a semana, entre 20h e 6h.

Na sexta-feira (5), Agripino voltou atrás a decretou o fim da Fase Vermelha, além do avanço para a Fase Amarela em diversas regiões do estado.


Fonte: Jornal de Jundiaí
Sérgio Lima/Poder360


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