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Rede Tiradentes é proibida de veicular matérias com baixo calão contra médico Mário Vianna, sob pena de multa diária de R$ 3 mil


O radialista Ronaldo Lázaro Tiradentes foi proibido pelo juiz José Renier Guimarães, da 5ª Vara Cível e Acidentes de Trabalho, de veicular matérias com palavras de baixo calão contra o médico Mário Vianna, que é presidente do Simeam (Sindicato dos Médicos do Amazonas).

O magistrado deu 48 horas para que o radialista remova todas as matérias com ofensas contra Vianna, sob pena de multa diária de R$ 3 mil, até o limite de 10 dias, caso a decisão seja descumprida.

O processo tem o número 0612085-46.2021.8.04.0001

Leia abaixo a decisão 





Relação: 0051/2021 Teor do ato: Analisados. MARIO RUBENS MACEDO VIANNA ajuizou ação de indenização por danos morais com pedido de tutela de urgência em face de REDE DE RÁDIO E TELEVISÃO TIRADENTES LTDA, alegando, em síntese, que: É funcionário público, ocupante do cargo de médico no Instituto Médico Legal (IML), atual presidente do Sindicato dos Médicos deste Estado. Por exercer mandato sindical tem direito à disponibilidade do cargo, fazendo jus à remuneração e ao afastamento de suas funções laborais. Tal direito, foi reconhecido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas e pelas Cortes Superiores do país, que garantiram a licença remunerada para o exercício da atividade sindical. Todavia, a ré tem relacionado seu afastamento remunerado a expressões pejorativas, como carrapato, piolho e parasita do Estado, a fim de insinuar que o mesmo não cumpre com suas obrigações de agente público. As frases insolentes foram ditas pelo apresentador da requerida, Sr. Ronaldo Tiradentes, durante a exibição do programa Manhã de Notícias, nos dias 27/01/2021 e 28/01/2021, links citados à fl. 02. Requer em sede de tutela de urgência: 1- Que a requerida seja compelida a retirar de seu sítio eletrônico, no prazo de 24h, os links listados à fl. 11. 2- Que a ré se abstenha de publicar/transmitir xingamentos envolvendo seu nome; 3- O arbitramento de multa diária no valor de R$10.000,00, em caso de eventual descumprimento das determinações do juízo. Juntou documentos de fls. 13-24. Decido. Sobre os requisitos para a concessão de tutela de urgência, considero presente o perigo na demora da prestação jurisdicional, diante da característica velocidade que matérias jornalísticas publicadas em sítios eletrônicos são compartilhadas em redes sociais, amplificando o potencial de causar dano à imagem e honra do autor. No mesmo sentido, sopesando as circunstâncias fáticas em que se concretizam os valores conflitantes e à luz do princípio da proporcionalidade, concluo, em juízo sumário, que há probabilidade do direito invocado para concessão de tutela inibitória para remoção das matérias listadas à fl. 11, que indica a URL de cada publicação. Explico. O fervor da vida moderna acaba por demonstrar, na prática, uma das características mais marcantes do constitucionalismo atual: a constante tensão de valores constitucionais, tal como se vê nesta demanda, onde o requerente busca defesa de sua imagem e privacidade em confronto com a liberdade de imprensa e de expressão. Este confronto de princípios apenas aparentemente ameaça a unidade das normas constitucionais, isto porque o ordenamento jurídico, com apoio incansável da doutrina, tratou de construir técnicas interpretativas a fim de solucionar as tensões eventualmente concretizadas, possibilitando a convivência harmônica de princípios e direitos fundamentais sem que um afastasse completamente o outro. Assim, o pedido de tutela de urgência pode ser melhor solucionado pela ponderação dos valores em conflito, levando-se em conta as características do caso concreto, de forma que um princípio ganhe maior preponderância sobre o outro, sem que este seja eliminado do ordenamento jurídico ou do patrimônio jurídico das partes. Em seu magistério sobre a liberdade de expressão e informação, Paulo Gonet Branco compila as passagens do texto constitucional nas quais o princípio encontra fundamento: a Constituição cogita da liberdade de expressão de modo direto no art. 5º, IV, ao dizer 'livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato', bem como no inciso XIV do mesmo artigo, em que 'é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional', e também no art. 220, quando dispõe que 'a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição'. Acrescenta, nos §§ 1º e 2º do mesmo artigo, que 'nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV', e que 'é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística'. Por outro lado, o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem encontram-se insertos no texto constitucional também no art. 5º, X, segundo o qual são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. O tema também pode ser encontrado como limite para a plena liberdade de informação jornalística, conforme o já citado art. 220, §1º, CF. Neste sentido, Nathalia Masson, citando Gilmar Mendes, afirma que há quatro meios básicos de se afrontar a privacidade: "(i) intromissão na reclusão ou na solidão do indivíduo; (ii) exposição pública de fatos privados; (iii) exposição do indivíduo a uma falsa percepção do público, que ocorre quando a pessoa é retratada de modo inexato ou censurável; (iv) apropriação do nome e da imagem da pessoa, sobretudo para fins comerciais" (grifo meu). Assim, percebe-se que o direito de privacidade é um limite natural à liberdade de expressão, devendo haver forte proteção àquelas informações que dizem respeito à intimidade e à vida privada do indivíduo, sendo os prejuízos causados passíveis de indenização, nos termos da Súmula 221-STJ e diversas decisões do Superior Tribunal de Justiça (a imprensa não pode destruir impunemente as reputações alheias, sem um mínimo de cuidado de aferir a veracidade da notícia, Relatoria do Ministro Ruy Rosado de Aguiar no REsp 164.421/RJ). Com efeito, na apuração dos limites dos direitos fundamentais agora apreciados deve-se ter em mente (a) a relevância pública dos fatos narrados e (b) a busca pela veracidade da notícia publicada. Assim, havendo interesse público na divulgação de determinada notícia redigida a partir de uma busca pela reconstrução dos fatos é inegável a prevalência da liberdade de expressão, ainda que se adentre, respeitada a devida proporcionalidade, na esfera de informações sensíveis à intimidade ou à privacidade. Nesta demanda específica, a requerida se refere a licença remunerada concedida ao demandante em razão do exercício de mandato sindical, para denigrir sua imagem perante à sociedade, fato que extrapola o direito de informar. Tais insinuações ficam evidentes quando a demandada alega que: (...) Mário Vianna é um encosto no Estado, eu vou falar aqui, Mário Vianna o que você é pra você fazer outro processo contra mim. Você é uma parasita do estado, você é um funcionário que não contribui com absolutamente nada no estado fl. 02/03. E continua (...) Eu ontem falei que era um piolho, mas não é nem um piolho. É um carrapato, aquele bichinho que gruda em animais e fica sugando o sangue e não trabalha, fica no hospedeiro só comendo o sangue. Então o Mário Vianna é um sanguessuga do estado fl. 05. Faça jus ao seu salário e não fique mais como um parasita, como câncer do serviço público que é, você é um carrapato que tá chupando sangue do estado fl. 08. A matéria televisiva claramente extrapolou o limite mínimo de legitimidade da liberdade de imprensa ao veicular narrativa sem benefício claro ao interesse público. Desta forma, acolho o pedido autoral e concedo a tutela de urgência provisória, no sentido de determinar à requerida: 1- A remoção das matérias veiculadas em seu sítio eletrônico, mencionadas à fl. 11, que indica a URL de cada publicação, no prazo de 48 horas; 2- Que se abstenha de veicular matérias com palavras de baixo calão envolvendo o nome do Requerente. Fixo multa diária de R$-3.000,00, até o limite de 10 (dez) dias, em caso de eventual descumprimento destas determinações. Determino a expedição de mandado urgente, observada a suspensão das diligências estabelecidas na Portaria n.º 01/2021-CCM e suas eventuais prorrogações. Determino, também, a intimação para cumprimento da tutela de urgência, via carta com aviso de recebimento e/ou Portal Eletrônico. Caso a Requerida já tenha sido intimada antes do cumprimento do mandado, determino sua devolução à origem. Remetam-se os autos ao CEJUSC para a realização de audiência de conciliação/mediação, nos moldes do CPC 334. Intimem-se. Cumpra-se. Advogados(s): Milton Antônio Rivera Reyes (OAB 9851/AM)



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