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Política

Marcellus Campelo é o primeiro depoente a ser criticado por governistas e opositores na CPI da Pandemia

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O ex-secretário de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, acabou se complicando muito em seu depoimento hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, ao se transformar no primeiro depoente a desagradar governistas e opositores. Ao revelar que a secretária do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, quis impor o tratamento precoce com uso da cloroquina no auge da crise, em janeiro, ele entrou na mira dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que atacaram principalmente a gestão dele na Saúde. Por outro lado, a claudicância em responsabilizar o ex-ministro Eduardo Pazuello por omissão na época o transformou também em alvo do chamado “grupo de independentes”, que se opõe ao Governo Federal.

Campelo enfrentou dificuldades especialmente com os questionamentos do senador Eduardo Braga (MDB), que apresentou os ofícios enviados pela empresa White Martins em 2020 à Secretaria de Estado da Saúde (Susam) em que alerta para a elevação da demanda por oxigênio medicinal na rede pública, em virtude dos casos de Covid-19. A primeira correspondência foi encaminhada em 16 de julho de 2020, praticamente seis meses antes de a capital Manaus registrar a crise de oxigênio que vitimou milhares de cidadãos. Em 11 de setembro do mesmo ano, a empresa reforçou o aviso em mais um ofício.

O senador também criticou a falta de repasse de R$ 7 milhões ao Hospital Universitário Getúlio Vargas, garantidos nos meio de emenda parlamentar, e ouviu de Campelo que a instituição preferiu usar o recurso em obras, o que acabou desmentido com a apresentação de documentos comprovando a utilização do dinheiro na compra de medicamentos.

Eduardo acabou se alinhando às críticas dos governistas à gestão de Campelo. Em outro momento foi a vez de Randolfe Rodrigues (Rede/AP) insistir em perguntar ao ex-secretário sobre a agilidade no atendimento do Governo Federal às demandas do Amazonas. Como o gestor se complicou na resposta, ficou no ar que o ex-ministro Pazuello demorou a agir e quando o fez, priorizou o tratamento precoce em detrimento à abertura de novos leitos e o transporte de oxigênio.

O depoimento continua agora à tarde, mas já pode ser considerado um dos piores até agora na CPI. Campelo não conseguiu proteger nem o Governo do Estado nem o Governo Federal.