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Câncer de Próstata: a questão do preconceito e da invulnerabilidade masculina tem que ser quebrada

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Uma pesquisa recente, realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), apontou que mais de 50% dos homens não procuram um médico regularmente para realizar exames preventivos e de rastreio. O urologista da Urocentro Manaus, Giuseppe Figliuolo, afirma que essa realidade repercute negativamente na saúde dessa parcela da população.

“Os homens morrem mais que as mulheres em todas as faixas-etárias. É muito mais comum encontrarmos mulheres viúvas do que homens. Isso porque, várias doenças consideradas letais quando não tratadas, a exemplo do câncer, não apresentam sinais na fase inicial, e se desenvolvem lentamente. Com isso, a procura por ajuda especializada só se dá na fase mais avançada, quando as chances de cura já estão reduzidas”, frisou.

Para mudar essa realidade, a receita é simples: diálogo, conscientização e campanhas educativas. “O diálogo é uma importante ferramenta para convencer a população masculina a buscar o rastreio das doenças relacionadas ao homem. O check up rotineiro, com os exames básicos, é o ideal, não fere a masculinidade de ninguém e ainda ajuda a salvar vidas. No caso do câncer de próstata, por exemplo, o recomendado por sociedades mundiais de urologia, como a Europeia e a Brasileira, da qual faço parte, é que os exames de PSA e de toque retal, sejam feitos anualmente, a partir dos 50 anos”, destacou Figliuolo, que é doutor em saúde coletiva e atua na área de oncologia há cerca de 15 anos.

Algumas questões que acabam levando o homem a colocar a saúde em segundo lugar, segundo ele, são estruturais, psicológicas e sociais. “A questão do preconceito e da invulnerabilidade masculina tem que ser quebrada. A Política Nacional da Saúde do Homem, instituída pelo Ministério da Saúde (MS), é muito recente, e foi implantada 20 anos após a criação do SUS (Sistema Único de Saúde)”, lamentou. “Do ponto de vista educacional, as campanhas de saúde sempre são mais voltadas às mulheres”, completou o especialista.

Por isso, para ele, filhas, netas, esposas, irmãs e até amigas, têm papel fundamental no processo de conscientização dos homens. Nesse contexto, Figliuolo destaca que em alguns casos, como o do câncer, o corpo não dá sinais de que há algo errado na fase inicial. Por isso, o check up é tão relevante no processo, uma vez que é mais fácil prevenir ou diagnosticar precocemente a doença, do que tratá-la em sua forma avançada. “A questão da educação e do esclarecimento é muito importante. Doenças na fase inicial têm 90% de chances de cura, porque são mais fáceis de tratar. Já as diagnosticadas tardiamente, são mais difíceis de tratar e, geralmente, as terapias tendem a ser mais invasivas”, assegurou.

Estatística

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra, anualmente, cerca de 65 mil casos de câncer de próstata, tipo da doença considerado mais prevalente na população masculina. Já no caso do câncer de testículo, considerado raro, a incidência é de 1% sobre todos os tipos de câncer nessa parcela da população. O que não descarta a necessidade de rastreio.

“A diferença é que, enquanto o câncer de próstata atinge mais a população na sexta década de vida, o de testículo abrange homens jovens, com idade entre 15 e 35 anos de idade, e registra, em média, 500 mortes ao ano”, alertou. No caso do câncer de testículo, além da consulta anual com o urologista, recomenda-se o autoexame. Com ele, o homem pode sentir alterações mais sólidas ou mudanças no volume do testículo, o que acende o sinal de alerta. “Vale destacar que nem toda alteração no testículo é câncer. Existem também as inflamações, como varicocele e as hérnias, cujos tratamentos são mais simples”, concluiu.