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Prefeitura de Manaus fortalece atendimento na atenção primária para ações de prevenção e tratamento da hanseníase

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Com o objetivo de fortalecer as ações de prevenção, tratamento e acompanhamento dos casos de hanseníase, a Prefeitura de Manaus está promovendo um trabalho de alinhamento dos fluxos de atendimento na rede de atenção primária da saúde. Nesta quinta-feira, 15/7, as equipes da clínica de saúde da família Dr. Antônio Reis, localizada no bairro de São Lázaro, na zona sul, receberam orientações para qualificar o atendimento.

A titular da Semsa, Shádia Fraxe, informa que o alinhamento está sendo realizado em todas as unidades do município com orientações, esclarecimentos e informações sobre a condução do paciente na rede pública municipal de saúde.

“A atenção primária de saúde é muito importante para a identificação e o acompanhamento dos casos de hanseníase. E por isso precisamos fortalecer cada vez mais o acolhimento e o tratamento às pessoas que apresentam a doença dando atenção também aos seus familiares e às pessoas que convivem de forma contínua com esse paciente”, afirmou.

A chefe do Núcleo de Controle da Hanseníase da Semsa, Ingrid Simone Alves dos Santos, explicou que o alinhamento se realiza por meio de exposições sobre o contexto da doença com apresentação de dados epidemiológicos, formas de tratamento, transmissão e outras informações que contribuem para fortalecer o atendimento já realizado pelo município.

“Estamos apresentando o fluxo de atendimento para que se possa fazer a detecção oportuna dos casos e tratar os pacientes. Nosso trabalho não se restringe ao diagnóstico, passa pelo acolhimento desse paciente, possibilitando que ele saia com alta do tratamento e monitorando seus familiares”, esclareceu.

Cadeia de contaminação

Ingrid Simone acrescenta que a proposta maior do alinhamento do fluxo de atendimento aos usuários que apresentam hanseníase é quebrar a cadeia de contaminação da doença, um feito conquistado quando o usuário começa o tratamento e os seus familiares passam a ser monitorados.

“Quando esse paciente é diagnosticado e recebe a primeira medicação quebra a cadeia de contaminação, o que significa que ele já pode conviver, beijar, abraçar, pois não apresenta risco de contaminação os demais. Mas quem mora na mesma casa, vive no mesmo ambiente e tem contato íntimo e prolongado, precisa ser avaliado. É necessário realizar um exame de pele uma vez por ano durante cinco anos. E se for diagnosticado com a doença, já inicia o tratamento”, pontua.

Cuidado

A dermatologista do Núcleo de Controle da Hanseníase, Rosa Batista Correa, promove um trabalho de apoio matricial às equipes da Semsa, que consiste em um conjunto de ações realizadas de forma compartilhada, ampliando a qualificação do atendimento aos usuários que apresentam a doença, que muitas vezes ficam constrangidos ao expor suas condições.

A troca de experiências possibilita agilidade na identificação e início do tratamento, sem a necessidade de agendamento de consultas. Dependendo do estágio em que a pessoa se encontra, o tratamento pode durar de seis meses a um ano.

“Apesar de ser uma doença milenar, ainda há muito desconhecimento sobre a hanseníase, por isso precisamos divulgar mais informações sobre ela. Temos diagnosticado muitas pessoas, inclusive crianças. Se essa doença não for tratada de forma completa e com brevidade, as pessoas podem apresentar sequelas pelo resto da vida”, assinala.

A enfermeira Aideleny Freitas, técnica do Distrito de Saúde Sul, participa do processo de formação levando informações para enfermeiros, médicos e técnicos das unidades de saúde.

“Essas reuniões são ótimas oportunidades para conversarmos e reforçar sobre a importância do exame de pele, do tratamento precoce e de estar atento ao usuário. Procedimentos muito simples, que não exigem uma grande estrutura, evitam sequelas. Todos nós temos um papel muito importante nesse processo.”

Resultados

Desde o início deste ano até o dia 14 de julho, Manaus registrou 47 casos novos de hanseníase, sendo três em menores de 15 anos. Houve um aumento de 30,6 % de casos novos, quando comparado ao mesmo período do ano de 2020. Estes resultados são resultado da realização de 19.731 exames de pele realizados este ano.

O trabalho de intensificação em unidade de saúde e em domicílios permitiu que, além da identificação de casos novos, o tratamento fosse iniciado de imediato, quebrando a cadeia de transmissão.

Os resultados do trabalho da Semsa motivaram a Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças em Eliminação (CGDE) do Ministério da Saúde, a convidar a coordenação do Núcleo de Controle da Hanseníase da Semsa para participar no debate da webinar “Hanseníase em tempo de Covid-19”, que será realizado na próxima segunda-feira, 19/7 às 14h, no horário local.

Texto- Tânia Brandão / Semsa
Fotos- Divulgação / Arquivo Semsa