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O ‘grito amazônida’ na arte de Tatiana Sobreira

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A artista reúne um conjunto de 300 obras representativas do arquétipo feminino e do universo amazônico

“O amor pelas artes é uma dor crônica da qual a gente não quer se livrar”. É assim que Tatiana Sobreira, de 47 anos, define a paixão pelo que faz. Filha de Codajás, a jornalista e artista plástica expõe nas suas obras a pluralidade de tons da Amazônia e o grito das mulheres silenciadas.

Com estilo abstrato e temáticas ligadas ao universo e arquétipo feminino, Tati Sobreira invade o mundo da arte, inspirada por artistas como os estadunidenses David Lynch, Basquiat e Pollock, e utiliza, no seu processo de criação, cores fortes e vibrantes. Na escultura, a forte presença da herança indígena e da paixão pelas cerâmicas Marajoara.
Segundo a artista, só há uma forma de ouvirem sua voz que é fazendo arte.

Os 29 anos vividos com o jornalismo servem de inspiração para Tatiana que, navegando por esses rios milenares da Amazônia, encontra nos inúmeros rostos, no estupro, na violência, na identidade indígena, um manancial para ecoar as milhões de vozes esquecidas na Amazônia brasileira.

É com essa proposta de arte abstrata, cujos traços se confundem com a própria natureza, que a artista invade os espaços culturais “sem pedir licença”, como o curso de um rio que precisa seguir o seu trajeto.

Em 2018, aconteceu sua 1ª grande exposição intitulada “Filha de Maria”, e o palco foi a Galeria do Largo São Sebastião. Reuniu 65 trabalhos entre quadros e esculturas, com arte praticamente abstrata, alusão ao universo feminino e à identidade indígena. O título da mostra foi uma homenagem à mãe da artista e às muitas mulheres cujas vozes são abafadas.
Após um ano, a exposição partiu para outros espaços culturais.

Hoje, a artista já coleciona mais de 300 obras, disponíveis para vendas.
O início na arte
Filha de pais artistas, Tatiana, ainda quando criança, transitou entre diversas manifestações, como música e cinema, e viu, na diversidade amazônica, o impulso para a produção de suas obras.

Há sete anos, mergulhou no universo da arte e se redescobriu. A 1ª obra que marca a trajetória da artista é descrita como uma mulher indígena, que tem pênis e está grávida. Qual o significado? Chocar.
Foi o quadro que ficou em exposição, em 2013, no Sebo de um amigo. “Quero fazer a minha voz e arte serem vistas dessa forma, de quem chega sem pedir licença”, afirma a artista.

Processo de criação

Construir representa para a artista um ato de liberdade, de instrumento para evidenciar esse grito amazônida. As muitas vozes que têm dentro de mim emergem essa pluralidade de cores e tons dentro das minhas obras”, afirma a artista.

A obra de arte é representativa dessa Amazônia infinita, do rio caudaloso e imponente. Manifesta, sobretudo, a indignação de profissionais que estão querendo viver da arte e não podem. E a luta da mulher pelo seu espaço.
Na criação das esculturas, utiliza-se de material das ruas, recicla, emenda, transforma as coisas que jogaram fora, reinventando-as.

Amor pela arte

Para a artista, o acordar é um compromisso diário com a entidade amazônica que nela habita. Reunir em uma obra toda essa diversidade, quantidade de tons e miscigenação é mágico. “Se vou conseguir viver da arte, não sei, mas vou morrer tentando”, finaliza.

O conjunto de obras de Tatiana Sobreira é um verdadeiro manifesto feminino, um grito de clamor de mulheres amazônidas muitas vezes silenciadas e que buscam viver da arte. Quem tiver interesse em adquirir as obras pode entrar em contato pelas redes sociais da artista: @tatianasobreiraoficiaoficial; enviar e-mail para [email protected] ou pelo telefone 92981249659.

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